Representantes do setor empresarial brasileiro manifestaram, durante uma audiência da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados, a urgência em reduzir os encargos trabalhistas. O objetivo é fortalecer a competitividade dos produtos nacionais frente aos importados e mitigar o custo Brasil. No mesmo debate, os empresários criticaram veementemente as propostas em análise que visam o fim da escala 6x1, alertando para os impactos negativos na produtividade e nos custos operacionais.

Acompanhe a votação sobre o fim da escala 6x1

Fábio Augusto Pina, da Fecomércio de São Paulo, expressou preocupação com o momento da discussão sobre a jornada de trabalho, ressaltando que um ano eleitoral não seria o ideal. Ele enfatizou que qualquer alteração deve ser intrinsecamente ligada à viabilidade e ao aumento da produtividade.

Corroborando a visão de Pina, Roberto Ordine, vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, argumentou que o mercado já dispõe de mecanismos para flexibilizar as escalas de trabalho. Ele questionou a necessidade de intervenção estatal em um cenário onde acordos trabalhistas poderiam, por si só, ajustar as condições.

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A deputada Adriana Ventura (Novo-SP), proponente do debate, revelou ter solicitado que todas as audiências futuras na Câmara sobre a extinção da escala de trabalho 6x1 contem com a participação de representantes patronais, garantindo uma discussão mais equilibrada.

O impacto do custo Brasil na economia nacional

Durante a sessão da comissão, o economista Carlos Costa apresentou uma estimativa alarmante: o custo Brasil representa anualmente R$ 1,5 trilhão, valor que espelha a diferença para se fazer negócios no país em comparação com nações desenvolvidas. Para reverter esse quadro, Costa defendeu veementemente a redução dos encargos trabalhistas, a diminuição da carga tributária e a implementação de um novo marco regulatório para o setor elétrico.

Fábio Augusto Pina complementou que a instituição de um novo teto de gastos para o setor público é crucial para controlar o endividamento e, consequentemente, reduzir a taxa de juros básica. Adicionalmente, ele apontou a baixa qualidade do ensino básico no Brasil como um entrave significativo para o incremento da produtividade.

Renato Corona, da Fiesp, trouxe dados concretos que ilustram a disparidade: a diferença média de preço entre produtos nacionais e importados atinge 24,1%. Quanto à carga tributária, o Brasil registra 32,5% do PIB, superando os 26,5% observados em países parceiros, o que acentua a desvantagem competitiva.

FONTE/CRÉDITOS: Agência Câmara Notícias