Casas de apostas começaram a avisar clubes da Série A de que podem rescindir contratos de patrocínio caso o governo federal imponha restrições que inviabilizem a operação do setor no país. A movimentação ocorre enquanto o governo prepara uma medida provisória sobre jogos on-line e apostas esportivas. As informações foram confirmadas pelo UOL.
A Superbet, patrocinadora máster de São Paulo e Fluminense, notificou os dois clubes sobre a possibilidade de encerramento dos acordos em caso de proibição das apostas. As equipes não confirmaram publicamente o recebimento dos avisos.
A Esportes da Sorte também enviou notificações a clubes patrocinados. O Corinthians confirmou ter recebido o comunicado.
O alerta atinge um mercado importante para o futebol brasileiro: 13 dos 20 clubes da Série A têm atualmente uma casa de apostas como patrocinadora máster, e os contratos do setor com equipes da elite somam mais de R$ 1 bilhão.
Flamengo também acompanha o risco
A Betano ainda não notificou formalmente o Flamengo, mas informou à diretoria que o contrato prevê consequências diferentes conforme a mudança na legislação.
Uma eventual proibição geral das apostas poderia levar à rescisão. Restrições parciais ou mudanças tributárias poderiam abrir espaço para renegociação.
O acordo entre Betano e Flamengo é o maior patrocínio máster do Brasileirão.
Clubes pressionam contra restrições
Em 17 de setembro, clubes e federações divulgaram um manifesto contra possíveis limitações ao setor. O documento classificou as medidas em discussão como uma ameaça grave às receitas do futebol e defendeu a manutenção do mercado regulado.
A avaliação no setor é de que uma eventual proibição poderia levar a uma onda de rompimentos contratuais. Empresas que não enviaram notificações formais também estudam recorrer à Justiça para encerrar acordos caso a atividade deixe de ser permitida.
O impacto dependerá do alcance da medida preparada pelo governo. Uma restrição concentrada em jogos de cassino on-line teria efeito diferente de uma proibição ampla das apostas esportivas.
Enquanto o texto não é definido, clubes e patrocinadores já se preparam para um cenário de revisão dos contratos.