Em agosto, as contas públicas brasileiras registraram um déficit primário de R$ 10 bilhões, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (30). O desempenho do setor público consolidado, que engloba União, estados, municípios e estatais, apresentou melhora em comparação ao prejuízo de R$ 17,3 bilhões verificado no mesmo mês do ano passado.
O saldo negativo de agosto foi puxado pelo Governo Central, que apresentou déficit de R$ 14,7 bilhões. Em contrapartida, os governos regionais e as empresas estatais ajudaram a amortecer o impacto, registrando superávits de R$ 2,7 bilhões e R$ 2 bilhões, respectivamente.
No acumulado de 12 meses até agosto, o déficit primário do setor público consolidado atingiu R$ 82,1 bilhões, o equivalente a 0,62% do PIB. Esse índice representa uma leve redução de 0,06 ponto percentual quando comparado ao fechamento do primeiro semestre.
Custos com juros e resultado nominal
As despesas com juros nominais somaram R$ 105,9 bilhões em agosto, superando os R$ 74,3 bilhões do mesmo período anterior. O Banco Central apontou que as perdas de R$ 9,3 bilhões com operações de swap cambial influenciaram diretamente essa elevação.
No acumulado de 12 meses, os encargos da dívida alcançaram R$ 1,182 trilhão (8,86% do PIB). Ao incluir esses encargos, o déficit nominal de agosto foi de R$ 115,9 bilhões, elevando o saldo negativo em 12 meses para R$ 1,264 trilhão.
Evolução da dívida pública
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) subiu para R$ 9,2 trilhões, representando 69,3% do PIB. A elevação de 0,1 ponto percentual no mês foi impulsionada sobretudo pela incorporação dos juros nominais e pelo saldo primário deficitário.
Por fim, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) chegou a R$ 11,1 trilhões, ou 82,9% do PIB, com alta de 0,3 ponto percentual sobre julho. O avanço reflete o impacto dos juros e das variações cambiais no período.