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As compras em supermercados no Brasil apresentaram um crescimento de 1,92% durante o primeiro trimestre, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
Em março, o volume de consumo superou em 6,21% o registrado em fevereiro. Comparado ao mesmo mês do ano anterior, o aumento foi de 3,20%.
Todos os números foram ajustados pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE) e englobam todos os tipos de estabelecimentos de supermercado.
“O expressivo aumento de março reflete tanto a antecipação de compras para a Páscoa, que ocorreu no início de abril, quanto o efeito do calendário, com fevereiro sendo um mês mais curto”, explicou a Abras.
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A associação também destacou o impacto positivo da entrada de dinheiro na economia. “Em março, o Bolsa Família beneficiou 18,73 milhões de famílias, com um repasse de R$ 12,77 bilhões. Adicionalmente, os pagamentos do PIS/PASEP injetaram aproximadamente R$ 2,5 bilhões em seu segundo lote”, informou a entidade.
Cesta básica mais cara
O índice Abrasmercado, que monitora os preços de 35 produtos de alta circulação, mostrou uma elevação de 2,20% em março. Nos meses anteriores, as variações foram de +0,47% em fevereiro e -0,16% em janeiro. Com isso, o custo médio da cesta subiu de R$ 802,88 para R$ 820,54 no período.
Entre os itens essenciais, o feijão liderou os aumentos com +15,40%, seguido pelo leite longa vida com +11,74%. No acumulado do trimestre, o feijão teve alta de 28,11% e o leite longa vida, de 6,80%.
Outros produtos que registraram elevação foram a massa sêmola de espaguete (+0,91%), a margarina cremosa (+0,84%) e a farinha de mandioca (+0,69%).
Por outro lado, os preços do açúcar refinado (-2,98%), café torrado e moído (-1,28%), óleo de soja (-0,70%), arroz (-0,30%) e farinha de trigo (-0,24%) apresentaram queda.
No setor de proteínas, os ovos subiram 6,65%, e a carne bovina registrou aumentos tanto no corte do traseiro (+3,01%) quanto no dianteiro (+1,12%). Em contrapartida, o frango congelado (-1,33%) e o pernil (-0,85%) tiveram redução. No trimestre, o corte traseiro da carne bovina acumulou alta de 6,29%.
Dentre os alimentos frescos, os maiores aumentos foram observados no tomate (+20,31%), cebola (+17,25%) e batata (+12,17%). No acumulado do trimestre, as variações chegam a 45,43%, 14,06% e 14,04%, respectivamente, indicando a forte influência da sazonalidade e da oferta.
Limpeza e higiene pessoal
No segmento de higiene pessoal, os preços de sabonete (+0,43%), xampu (+0,34%), papel higiênico (+0,30%) e creme dental (+0,13%) apresentaram alta.
Já na limpeza doméstica, o detergente líquido para louças subiu 0,90%, o desinfetante 0,74% e a água sanitária 0,38%. O sabão em pó foi o único item do grupo a registrar queda, com -0,29%.
Variação de preços por região
A região Nordeste registrou a maior elevação de preços em março, com alta de 2,49%. O custo da cesta básica na região passou de R$ 720,53 para R$ 738,47.
Confira a variação da cesta de compras por região:
- Nordeste (+2,49%), de R$ 720,53 para R$ 738,47;
- Sudeste (+2,20%), de R$ 822,76 para R$ 840,86;
- Sul (+1,92%), de R$ 871,83 para R$ 888,57;
- Centro-Oeste (+1,83%), de R$ 753,20 para R$ 766,96;
- Norte (+1,82%), de R$ 875,01 para R$ 890,93.
Perspectivas para o segundo trimestre
Segundo a Abras, o segundo trimestre pode apresentar um novo aumento no consumo, impulsionado pela antecipação do pagamento do 13º salário para aposentados e pensionistas do INSS. A previsão é de R$ 78,2 bilhões a serem distribuídos a cerca de 35,2 milhões de segurados, com pagamentos iniciando em 24 de abril.
Somado a isso, o primeiro lote de restituições do Imposto de Renda de 2026, com potencial de R$ 16 bilhões para 9 milhões de contribuintes, deve ser liberado no final de maio.
“Apesar de um cenário favorável para a renda das famílias, o setor continua focado em manter a competitividade de preços, a eficiência operacional e o planejamento, diante de possíveis pressões logísticas e de custos globais”, avaliou o vice-presidente da Abras, Marcio Milan.
Para os próximos meses, a Abras alerta para o risco de aumento nos preços de alguns alimentos, especialmente aqueles mais dependentes de frete, condições climáticas e disponibilidade de oferta.
“A elevação do preço do petróleo e o consequente aumento nos custos de transporte elevam o custo de reposição em cadeias logísticas mais extensas e complexas, com possibilidade de repasse desses custos para os alimentos”, concluiu Milan.