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Domingo, 02 de Agosto 2026
Política

Atos em várias cidades pressionam a Câmara pela aprovação do PL da Misoginia

Mobilização do Levante Mulheres Vivas cobra urgência no despacho de Hugo Motta para votar proposta que prevê reclusão para crimes de ódio de gênero.

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Por Pagina1mt
Atos em várias cidades pressionam a Câmara pela aprovação do PL da Misoginia
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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Neste domingo (2), o movimento Levante Mulheres Vivas organizou manifestações em diversas cidades brasileiras para pressionar a Câmara dos Deputados a votar o PL da Misoginia, projeto que prevê punições mais severas contra crimes motivados pelo preconceito e violência de gênero.

Identificado como Projeto de Lei 896/2023, o texto já obteve aprovação no Senado e aguarda a decisão em regime de urgência do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para entrar na pauta do plenário.

A proposta altera a Lei 7.716/1989 ao incluir o crime de misoginia, estabelecendo penas que variam de dois a cinco anos de reclusão. A medida caracteriza a infração como a prática, indução ou incitação de violência, de restrição a direitos ou de ofensa à dignidade feminina por conta da condição de mulher.

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Além disso, o dispositivo legal também insere a condição de mulher no artigo relativo aos crimes de injúria e ofensa ao decoro decorrentes de raça, cor, etnia ou procedência nacional.

Os atos ocorreram em capitais e municípios do interior, como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, João Pessoa, Boa Vista, Campo Grande e Pelotas, reunindo manifestantes ao longo de todo o dia.

Mobilização contra o ódio digital

De acordo com Rachel Ripani, cofundadora do Levante Mulheres Vivas, os protestos surgiram organicamente diante do avanço dos casos de feminicídio e do aumento do discurso de ódio contra mulheres nas plataformas digitais.

“É uma mobilização que vem da sociedade civil, das mulheres e do movimento feminista, mas também de homens. Há um consenso de que o discurso de ódio digital se tornou perigoso para todos”, afirmou a ativista.

A organização busca construir um consenso dentro do Congresso Nacional para garantir um texto objetivo. Rachel mencionou que bancadas como a evangélica expressaram dúvidas iniciais sobre um eventual impacto na liberdade de expressão nos templos, o que tem sido esclarecido durante os debates.

Combate aos crimes e prazos legislativos

A intenção do projeto não é cercear opiniões, mas coibir práticas criminosas graves no ambiente virtual, como a apologia ao estupro, a dopagem de vítimas e a criação ilícita de conteúdos eróticos com inteligência artificial envolvendo adolescentes.

Portando cartazes com dizeres como “Brasil sem misoginia” e “Se a Câmara não ouve as mulheres, as ruas vão falar!”, os manifestantes esperam que a matéria seja pautada logo após o retorno das sessões plenárias.

Para o movimento, o período pré-eleitoral é decisivo para expor o posicionamento dos parlamentares sobre a pauta. “É a nossa chance de entender se conseguimos sensibilizar esses líderes para que o Brasil saiba de que lado estão os deputados”, destacou Rachel.

A reportagem buscou contato com a assessoria do deputado Hugo Motta, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.

FONTE/CRÉDITOS: Fabíola Sinimbú - Repórter da Agência Brasil
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