Espaço para comunicar erros nesta postagem
O delegado da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Victor Hugo Caetano de Freitas, afirmou na manhã desta terça-feira (05.05) que uma advogada, alvo da Operação Apito Final, deflagrada em 2024, voltou a ser investigada por suspeita de lavagem de dinheiro e envolvimento no esquema liderado pelo conselheiro do Comando Vermelho (CV), Gilson Rodrigues Santos, conhecido como “Russo”, em Cuiabá.
Segundo o delegado, a profissional teria atuado como pessoa interposta no esquema, fornecendo contas bancárias para a movimentação e ocultação de valores oriundos de atividades ilícitas.
“Essa advogada forneceu contas para que fosse feita a dissimulação dos valores. Não era somente trabalho advocatício, realmente havia a lavagem de dinheiro por parte dela”, afirmou durante coletiva de imprensa.
As investigações fazem parte da Operação Roleta Russa, que apura a atuação de uma facção criminosa com forte presença na Capital, especialmente nos bairros Planalto e Altos da Serra. De acordo com a Polícia Civil, o grupo mantinha um sistema estruturado de tráfico de drogas, extorsões e domínio territorial.
A apuração teve início após a apreensão de um aparelho celular com o principal investigado. A partir das conversas extraídas, foi possível identificar a atuação da organização e a participação de terceiros na estrutura financeira do grupo.
“A partir dessas conversas, a gente identificou todo esse esquema criminoso. Podemos afirmar que ele mantinha contato com pessoas ligadas à facção fora do presídio”, disse o delegado.
O líder do esquema, “Russo”, está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), mas, segundo a investigação, continuava ordenando atividades criminosas de dentro da unidade.
Além dele, o primo Robson Monteiro da Silva também foi alvo da operação. Conforme a Polícia Civil, ele atuava como braço direito e executor das ordens fora da cadeia.
As apurações apontam ainda que o grupo movimentou mais de R$ 20 milhões em cerca de dois anos, utilizando contas de terceiros para ocultar a origem dos valores, com depósitos fracionados — prática comum em esquemas de lavagem de dinheiro.
“Esse valor circulava entre contas, com depósitos pequenos para dissimular a origem do dinheiro”, explicou o delegado.
A operação cumpriu 12 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão, buscas e apreensões, além de sequestro de bens e bloqueio de até R$ 10 milhões em contas ligadas aos investigados.
A Polícia Civil destacou que a descapitalização das facções é uma das principais estratégias no combate ao crime organizado, permitindo que os recursos apreendidos sejam revertidos em benefício da sociedade.