Um caso de violência envolvendo um adolescente de 14 anos, no Recife (PE), chamou atenção para os riscos do aliciamento digital de menores em ambientes virtuais. O jovem é investigado após atacar o próprio pai enquanto ele dormia e transmitir a ação ao vivo por uma plataforma de comunicação usada por comunidades online.

Segundo informações do caso, o adolescente teria relatado em depoimento que recebeu orientações dentro do jogo Roblox e que a motivação estaria ligada à promessa de receber Robux, moeda virtual utilizada na plataforma, como recompensa por cumprir um suposto desafio.

O episódio também levantou preocupações sobre a atuação de grupos que utilizam jogos eletrônicos e aplicativos de mensagens para influenciar crianças e adolescentes. Imagens atribuídas a uma conversa privada em um grupo de mensagens mostram participantes acompanhando a transmissão e fazendo comentários durante a ação.

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De acordo com relatos divulgados na investigação, integrantes do grupo teriam incentivado a continuidade da agressão, com mensagens de apoio ao ato. As autoridades apuram a participação de outras pessoas e a origem do conteúdo compartilhado.

Para especialistas em segurança digital, o caso evidencia uma nova modalidade de risco envolvendo crianças e adolescentes conectados à internet. O especialista Eronides Meneses alerta que criminosos podem se aproximar de menores por meio de jogos populares, oferecendo recompensas virtuais, vantagens ou reconhecimento para conquistar a confiança das vítimas.

Segundo ele, plataformas como Roblox, Free Fire e Fortnite possuem comunidades amplas e podem ser utilizadas por pessoas mal-intencionadas para estabelecer contato com jovens sem que eles percebam a gravidade das situações propostas.

Mensagem telegram - ataque a pai

 

A psicóloga Kátia Guerra destaca que a exposição prolongada a ambientes digitais sem acompanhamento pode contribuir para problemas como ansiedade, impulsividade e dificuldades de controle emocional. Entre os sinais de alerta estão mudanças repentinas de comportamento, isolamento, irritabilidade, ocultação da tela de dispositivos e criação de novas barreiras de acesso aos aparelhos.

Os especialistas ressaltam que a prevenção passa pela participação ativa dos responsáveis, com acompanhamento da rotina digital dos filhos, diálogo constante e interesse pelos ambientes virtuais frequentados por eles.

O caso segue sob investigação. As autoridades deverão apurar a origem do vídeo, identificar possíveis envolvidos e verificar a atuação de grupos que possam ter incentivado ou influenciado a prática de violência.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno Solis - FOLHA DO ESTADO