A noite da última sexta-feira (17) em Arenápolis, a 234 km de Cuiabá, foi marcada por mais um caso de violência doméstica que expõe a escalada de agressões e o risco iminente enfrentado por mulheres em Mato Grosso. Por volta das 21h, a Polícia Militar foi acionada para atender uma ocorrência na Rua Augusto Moraes de Cajango, onde uma jovem de 26 anos denunciou que era vítima de agressões constantes por parte de seu companheiro, de 25 anos.

De acordo com o relato da vítima, o que começou com ciúmes exacerbados logo se transformou em uma série de agressões físicas e psicológicas. O suspeito, motivado por mensagens de um vizinho enviadas ao celular dela, passou a acusá-la de traição. Em seguida, a violência se concretizou com puxões de cabelo, tapas, empurrões e outras agressões, ao mesmo tempo em que o homem proferia ameaças de morte, afirmando que a mataria se ela chamasse a polícia .

O medo, contudo, não foi suficiente para impedir a vítima de buscar ajuda. Ela conseguiu acionar a guarnição, que chegou ao local e encontrou o suspeito em frente à residência. O homem foi abordado e detido sem resistência. Ao ser questionada, a vítima revelou que o relacionamento era marcado por um histórico de violência, que incluía agressões não apenas contra ela, mas também contra seu filho.

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O ápice do caso, no entanto, veio quando a vítima relatou que, durante a discussão, o companheiro apontou uma arma de fogo diretamente para seu rosto. Com a autorização da mulher, os policiais realizaram uma busca na residência e localizaram uma espingarda calibre 28, além de diversas munições, que seriam o instrumento utilizado nas ameaças .

O suspeito foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil, juntamente com a arma e as munições apreendidas, para a tomada das providências cabíveis. O caso foi registrado sob as naturezas de Posse Irregular de Arma de Fogo, Ameaça e Violência Doméstica, evidenciando o cenário de risco extremo a que a vítima estava submetida.

A ocorrência em Arenápolis não é um caso isolado. Dados recentes apontam que o Brasil registra, em média, 2.200 casos de violência doméstica por dia, e Mato Grosso tem sido palco de episódios de extrema gravidade. Em junho deste ano, na mesma cidade, um policial militar foi atacado com um facão ao atender uma ocorrência de violência doméstica, sofrendo ferimentos graves na mão. O agressor, que também havia agredido a companheira, foi baleado pela equipe de reforço e morreu .

Casos como o desta sexta-feira reforçam a importância do alerta para o ciclo de violência doméstica, que frequentemente começa com agressões verbais e ciúmes excessivos, mas pode evoluir para ameaças com armas e tentativas de feminicídio. A rápida atuação da Polícia Militar e a coragem da vítima em denunciar foram fundamentais para evitar uma tragédia ainda maior, tirando de circulação um agressor reincidente e recuperando uma arma que poderia ter sido usada para um crime fatal .

O suspeito permanece à disposição da Justiça.

FONTE/CRÉDITOS: DA REDAÇÃO