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Segunda-feira, 17 de Agosto 2026
Política

Unicef revela que 13,5 milhões de crianças são "zero-dose" em vacinação global

Relatório do fundo aponta que 15% dos bebês têm cobertura vacinal inadequada no primeiro ano de vida, apesar de avanços pontuais.

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Por Pagina1mt
Unicef revela que 13,5 milhões de crianças são
© Rovena Rosa/Agência Brasil
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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou nesta quarta-feira (15) que a cobertura de vacinação completa para a primeira infância permanece um desafio global, com 13,5 milhões de crianças zero-dose que não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida. Além disso, 15% dos bebês em todo o mundo possuem cobertura vacinal inadequada, conforme dados governamentais compilados, alertando para o risco de surtos de doenças e a necessidade urgente de fortalecer os programas de imunização.

Especificamente, o levantamento indica que, em 2025, 13,5 milhões de crianças foram classificadas como "zero-dose" por não terem recebido qualquer imunizante durante seu primeiro ano de existência. Outros 7,3 milhões de pequenos não completaram o esquema básico de três doses da vacina DTP, essencial para a proteção contra difteria, tétano e coqueluche.

Apesar do cenário preocupante, o estudo "Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional" aponta um ligeiro progresso em comparação ao ano anterior. Em 2025, 116 milhões de bebês receberam pelo menos uma dose da DTP, um aumento de 750 mil imunizações em relação a 2024.

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Entretanto, o Unicef adverte que a persistência do elevado índice de crianças "zero-dose" eleva consideravelmente o risco de novos surtos de doenças. Este patamar é preocupante, assemelhando-se aos níveis registrados em 2009 e permanecendo abaixo da cobertura alcançada antes da pandemia de Covid-19.

O programa de vacinação do Unicef também destaca a alta taxa de abandono do ciclo de imunização, especialmente notável antes da segunda dose da vacina contra o sarampo. Enquanto 84% das crianças recebem a primeira dose (MCV1), apenas 77% completam o esquema com a segunda dose (MCV2).

Este cenário é crítico, visto que o limiar de segurança para a imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, o mundo registrou mais de 411 mil casos da doença, com surtos afetando 57 nações.

Cenário global da cobertura vacinal

A análise dos dados, fornecidos por governos de 195 países, revela que uma centena deles conseguiu manter uma cobertura de pelo menos 90% com as três doses da vacina DTP desde 2019. Contudo, há pouco avanço na expansão desse grupo de nações com alta cobertura.

Dentre as nações que estavam abaixo da meta em 2019, 30 demonstraram melhorias significativas em suas taxas de imunização nos últimos seis anos. Em contrapartida, 65 países permaneceram estagnados ou, pior, registraram retrocessos, incluindo 13 nações consideradas frágeis, impactadas por conflitos ou em contextos de vulnerabilidade.

Catherine Russell, diretora executiva do Unicef, destacou em nota que "governos e profissionais de saúde foram fundamentais para a recuperação das taxas globais de vacinação, após a acentuada queda durante a pandemia de Covid-19". No entanto, ela ressalta que "milhões de crianças vulneráveis permanecem desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza".

Essas ameaças contínuas resultam em uma considerável variabilidade e instabilidade na cobertura vacinal entre diferentes países. O relatório aponta que mais da metade das crianças zero-dose reside em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora essas regiões concentrem apenas cerca de um terço da população infantil global.

Conforme detalhado no levantamento, nesses ambientes, os programas de imunização frequentemente se deparam com obstáculos como instabilidade política, insegurança e subfinanciamento crônico, dificultando a proteção das crianças.

Um desafio adicional reside na diminuição da cobertura vacinal em países de renda média e alta. Este declínio é atribuído a fatores como mudanças no compromisso político, problemas estruturais e o aumento da hesitação vacinal por parte da população. O relatório cita a cobertura da DTP1 como um exemplo elucidativo.

Na África do Sul, por exemplo, o índice de cobertura da DTP1 sofreu uma queda de 20 pontos percentuais desde 2019, mantendo a tendência de baixa em 2025. Já na Bósnia e Herzegovina, houve uma redução de 23 pontos percentuais no último ano, mesmo após um notável aumento na cobertura da MCV1 em 2024. É importante notar que ambos os países estão em regiões estáveis e registram melhorias em outros indicadores de acesso à saúde.

A situação da vacinação no Brasil

Em contraste com o cenário global, o Brasil tem demonstrado uma trajetória positiva, com melhoria contínua na cobertura vacinal e uma redução significativa no número de crianças zero-dose, atualmente estimadas em 50 mil no país. Houve avanço tanto na cobertura quanto na qualidade da integração dos dados públicos. Contudo, o ciclo completo da tríplice (DTP-3) ainda apresenta índices abaixo do ideal, com uma cobertura de aproximadamente 86%.

Apesar dos avanços, os dados nacionais são alvo de uma crítica específica: a falta de um levantamento independente sobre o tema nos últimos cinco anos. Essa prática é recomendada pela OMS e pelo Unicef como crucial para assegurar a fidedignidade e a qualidade das informações.

Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde, afirmou que "os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda demonstram o que é possível alcançar quando todas as partes colaboram em torno de um objetivo comum".

Ela complementa que o grande desafio será sustentar esse progresso frente às restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e o aumento dos surtos, enquanto se intensificam os esforços para garantir o acesso à imunização às crianças ainda não alcançadas.

O relatório alerta que as bases que sustentaram esse progresso estão sob intensa pressão, citando cortes recentes de financiamento, especialmente do governo dos Estados Unidos, e o enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Os dados indicam que apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram conduzidas e submetidas neste ciclo, um número significativamente menor em comparação com as 50 de 2024 e a média anual de 33 entre 2015 e 2019.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Jeronymo – repórter da Agência Brasil
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