Josiveldo se apresentou espontaneamente à Polícia Civil nesta terça-feira (6), entregou a arma que teria sido usada nos disparos e prestou depoimento; investigação ainda vai ouvir Kledinho, a mulher que estava com ele e outras testemunhas
O homem apontado como autor dos disparos que atingiram Kleder Luiz Piaia, conhecido como “Kledinho”, na noite de domingo (4), no Jardim dos Ipês, em Sorriso, se apresentou espontaneamente à Polícia Civil nesta terça-feira (6), acompanhado de advogado, e entregou uma pistola calibre 9 milímetros.
Em entrevista ao JK, o delegado Paulo Brambilla, que recebeu a apresentação do suspeito, confirmou que o homem prestou depoimento e apresentou a arma que teria sido utilizada na ocorrência. O delegado explicou ainda que, diante da apresentação espontânea e do tempo transcorrido desde os fatos, não houve prisão em flagrante.
O caso ocorreu por volta das 22h de domingo, na Avenida Blumenau. Conforme o JK mostrou anteriormente, Kledinho foi atingido por disparos na região das costas após uma confusão envolvendo várias pessoas. No local, policiais encontraram 14 estojos deflagrados aparentemente de calibre 9 mm.
A investigação agora busca reconstruir, em detalhes, o que aconteceu antes dos tiros.
Delegado relata briga entre mulheres e confronto antes dos disparos
Segundo Paulo Brambilla, as imagens recolhidas, os depoimentos de algumas testemunhas e a própria versão apresentada pelo suspeito indicam, preliminarmente, que o grupo estava reunido na Avenida Blumenau após as eleições.
De acordo com o delegado, Kledinho chegou ao local acompanhado de uma mulher. Em determinado momento, a mulher do suspeito e a mulher que acompanhava a vítima teriam iniciado uma briga.
O suspeito teria tentado intervir para separar as duas. Ainda conforme a reconstrução preliminar relatada pelo delegado, Kledinho também teria avançado em direção ao suspeito, momento em que os dois entraram em luta corporal.
Após a confusão, Kledinho teria deixado o local em uma motocicleta. Pouco depois, segundo a investigação, ele retornou e teria proferido palavras contra o suspeito.
Foi então que, segundo a versão prestada à Polícia Civil, o suspeito teria ido até seu veículo, pegado a pistola calibre 9 mm e efetuado os disparos.
Brambilla afirmou que o próprio suspeito relatou ter efetuado 14 tiros. Kledinho acabou atingido, inclusive na região das costas, e foi socorrido, sendo posteriormente encaminhado ao Hospital Regional de Sorriso.
A quantidade relatada pelo suspeito coincide com os 14 estojos encontrados pela Polícia Militar na cena, conforme já publicado pelo JK.
Defesa afirma que ameaças teriam partido de Kledinho
O advogado que acompanha Josiveldo apresentou ao JK a versão da defesa e afirmou que a confusão teria começado após provocações envolvendo a esposa e familiares do suspeito.
Segundo a defesa, teriam ocorrido ameaças por parte de Kledinho antes dos tiros.
O advogado afirmou que os depoimentos já colhidos deverão ajudar a demonstrar essa sequência e alegou que houve uma situação considerada constrangedora envolvendo familiares do suspeito. A defesa sustenta que Josiveldo teria reagido após a escalada da confusão e das supostas ameaças.
Essa versão ainda está sendo apurada e não representa uma conclusão da Polícia Civil sobre eventual legítima defesa ou outra tese jurídica.
A existência de ameaças anteriores aos tiros também já havia aparecido em depoimento de testemunha obtido durante o atendimento inicial da ocorrência. Conforme publicado pelo JK, uma pessoa relatou que Kledinho teria passado pelo grupo e ameaçado pessoas que permaneciam no local antes dos disparos.
Suspeito procurou advogado e decidiu se apresentar
A defesa afirmou ainda que Josiveldo entrou em contato com o advogado já na manhã seguinte aos fatos e foi orientado a comparecer à delegacia para apresentar sua versão.
Nesta terça-feira, ele compareceu à Polícia Civil, entregou a pistola 9 mm e foi ouvido.
O delegado Paulo Brambilla explicou que não entendeu estar configurada situação de flagrante, considerando a apresentação espontânea e o período já transcorrido desde o crime.
Polícia não pediu prisão preventiva neste momento
Outro ponto esclarecido pelo delegado é que, neste momento da investigação, a Polícia Civil também não identificou elementos suficientes para representar pela prisão preventiva do suspeito.
Segundo Brambilla, as consultas realizadas até agora indicam que o investigado não possui antecedentes criminais. O delegado afirmou ainda que, preliminarmente, não foram identificados elementos de periculosidade concreta, risco de reiteração criminosa ou ameaça à ordem pública que justificassem, neste estágio, um pedido de prisão preventiva.
Isso, entretanto, não significa que a investigação esteja encerrada nem que o suspeito esteja isento de eventual responsabilização criminal.
O inquérito continuará reunindo provas para definir o enquadramento jurídico e eventual indiciamento.
Kledinho ainda será ouvido
A Polícia Civil ainda não conseguiu colher o depoimento de Kledinho porque ele permanece internado no Hospital Regional de Sorriso.
O delegado afirmou que, assim que houver condições, a vítima deverá ser ouvida para apresentar sua versão completa dos acontecimentos.
A mulher que estava com Kledinho também deverá prestar depoimento, assim como outras testemunhas.
Além das oitivas, a Polícia Civil pretende reunir outros elementos técnicos, incluindo exames de balística, análise da arma apresentada e demais provas capazes de esclarecer a trajetória dos disparos e toda a dinâmica da ocorrência.
Versão sobre discussão política perde força, mas investigação continua
Nas primeiras horas após o crime, testemunhas ouvidas pelo JK disseram que a confusão poderia ter começado por uma discussão relacionada às eleições. Desde então, porém, surgiram outras versões.
As informações mais recentes reunidas pela Polícia Civil apontam para uma discussão envolvendo as mulheres, agressões físicas, desentendimento entre Kledinho e o suspeito, supostas ameaças e, posteriormente, os disparos.
Por isso, até o momento, não é possível afirmar que a motivação tenha sido política.
A Polícia Civil deverá agora confrontar a versão apresentada por Josiveldo e sua defesa com o depoimento de Kledinho, das mulheres envolvidas, das demais testemunhas, imagens recolhidas e perícias.
Ao final das diligências, o delegado responsável decidirá sobre eventual indiciamento e enquadramento criminal.
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