As centrais sindicais iniciaram uma mobilização nacional para pressionar o Senado a antecipar a votação da PEC sobre o fim da escala 6x1. As entidades querem aprovar a proposta de emenda à Constituição que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais antes do primeiro turno das eleições de 2026, reagindo ao adiamento anunciado pela presidência da Casa.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, criticou a decisão de adiar a pauta. Segundo ele, a medida atende a pressões do empresariado e da oposição para evitar que os senadores sejam cobrados pelos eleitores nas ruas durante o período eleitoral.
Para reverter o cenário, a CUT e outras entidades pretendem cobrar os parlamentares diretamente em seus estados, vinculando o apoio eleitoral à aprovação imediata do texto.
Estratégia e ações das centrais
A estratégia de mobilização foi definida durante reunião do Fórum das Centrais Sindicais. O grupo reúne as seis maiores entidades do setor no país e decidiu intensificar panfletagens em centros comerciais, onde a jornada de seis dias por um de descanso é mais comum.
Além disso, os dirigentes preveem reforçar o engajamento nas redes sociais e organizar novos protestos de rua. As entidades também vão solicitar uma audiência com o senador Davi Alcolumbre (União-AP) para defender a votação antecipada da proposta.
O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, lamentou o adiamento e expressou receio de que a matéria perca força. Ele destacou que mais de 70% da população apoia a mudança na jornada de trabalho.
Reações ao adiamento da PEC
A expectativa inicial era de que a matéria seguisse ao plenário após a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na avaliação de Paulo de Oliveira, diretor da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), adiar o pleito prejudica a transparência com os eleitores.
Por outro lado, o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, destacou a vitória expressiva na CCJ e reforçou a intenção de dialogar com a presidência do Senado para viabilizar a votação rápida.
As entidades argumentam que a redução traz ganhos de saúde mental e qualidade de vida. Já as confederações patronais, como a Confederação Nacional do Comércio (CNC), defendem a manutenção do adiamento para permitir uma análise técnica aprofundada fora do ambiente de pressão eleitoral.
