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Domingo, 06 de Setembro 2026
Justiça

Relatório do Unicef revela dados graves sobre abuso sexual infantil online

Levantamento revela que milhões de jovens sofrem com violência digital, mas a maioria não denuncia os casos por falta de canais de apoio adequados.

Pagina1mt
Por Pagina1mt
Relatório do Unicef revela dados graves sobre abuso sexual infantil online
© Bruno Peres/Agência Brasil
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Um novo relatório divulgado pelo Unicef revela que pelo menos 20 milhões de crianças e adolescentes, em 21 países, foram vítimas de abuso sexual infantil online e exploração digital no período de um ano. O levantamento, realizado entre 2020 e 2025, aponta que a facilidade de acesso a tecnologias e redes sociais ampliou a vulnerabilidade dos jovens, gerando um cenário alarmante de violência silenciosa globalmente.

De acordo com os dados, cerca de 15 milhões de menores foram expostos a conteúdos sexuais indesejados. Além disso, estima-se que 9 milhões sofreram coerção para interações de cunho sexual e 4 milhões tiveram fotos íntimas vazadas na internet. O estudo "Pelos Olhos das Crianças" acende um alerta urgente para governos e famílias.

A subnotificação é um dos maiores desafios apontados pelos especialistas. Mais de 40% das vítimas preferiram calar-se sobre as agressões sofridas. O principal motivo para o silêncio é o desconhecimento sobre onde buscar ajuda ou a quem recorrer após o trauma, o que perpetua a impunidade dos agressores no ambiente digital.

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O papel das redes sociais e jogos

As plataformas digitais concentram a maior parte das violações. Cerca de 60% dos crimes ocorreram em redes populares como Instagram, Facebook, TikTok, WhatsApp e Snapchat. Outro dado preocupante aponta que 14% dos abusos aconteceram em plataformas de jogos online, onde criminosos se aproveitam da relação de confiança estabelecida entre os jogadores para cometer os crimes.

Ao contrário do senso comum, a maior parte dos casos (57%) envolveu pessoas próximas às vítimas, como familiares, amigos e conhecidos. No entanto, o relatório pondera que 38% dos jovens conheceram seus agressores diretamente no ambiente virtual, impulsionados pelo uso de perfis falsos e abordagens privadas que facilitam a aproximação criminosa.

"Essas experiências causam profundo desgaste emocional e mental. Muitas crianças sofrem em silêncio, sem saber ao certo onde procurar ajuda. Nós não podemos ignorar isso", alertou Catherine Russell, diretora-executiva do Unicef, reforçando a necessidade de redes de apoio psicológico e jurídico acessíveis.

A realidade no cenário brasileiro

O Brasil apresenta um panorama crítico: 19% dos entrevistados relataram ter sofrido esse tipo de violência, o que representa quase 3 milhões de crianças e adolescentes. Desse total, menos de 1% das ocorrências foi formalmente denunciado. No país, a internet foi o canal de 55,5% dos abusos, seguida pelo ambiente escolar, com 24,5%.

Entre os canais mais perigosos no território nacional, destacam-se o Instagram (57,2%) e o WhatsApp (52,1%). O relatório detalha táticas de coerção, como chantagens emocionais e financeiras. Uma jovem brasileira relatou ter sido ameaçada pelo agressor, que prometeu enviar mensagens íntimas à mãe dela caso não recebesse novas imagens.

FONTE/CRÉDITOS: Letycia Treitero Kawada - Repórter da Agência Brasil
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