O preço do suíno despencou quase 30% em Mato Grosso, mas a carne continua cara nos açougues — um descompasso que evidencia pressão no campo e levanta questionamentos sobre a cadeia de comercialização.

A suinocultura de Mato Grosso enfrenta um cenário de forte desequilíbrio em 2026. Enquanto o valor pago ao produtor recua de forma acentuada, o consumidor não percebe qualquer alívio no preço final da carne, mantendo a pressão concentrada na base produtiva.

Levantamento da Bolsa de Suínos da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) aponta que o quilo do suíno vivo caiu de R$ 8,00, em janeiro, para R$ 5,80 nesta semana — uma retração de 27,5%. O patamar é o menor desde abril de 2024, quando o valor chegou a R$ 5,60.

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Mesmo com a redução no preço do animal vivo e da carcaça, o movimento não foi acompanhado pelo varejo. Nos supermercados e açougues, os preços seguem elevados, criando um cenário de distorção que impede o repasse ao consumidor e trava o estímulo ao consumo.

Ao mesmo tempo, os custos de produção permanecem altos, agravando a situação no campo. O prejuízo médio já chega a cerca de R$ 60 por animal abatido, comprometendo a sustentabilidade da atividade e acendendo alerta no setor.

Sem o ajuste na ponta final da cadeia, o mercado segue pressionado: de um lado, o produtor opera no vermelho; de outro, o consumo não reage diante dos preços mantidos no varejo.

FONTE/CRÉDITOS: Nicolle Ribeiro/VGNAgro