Após o pleito presencial, lideranças Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul formalizaram denúncias relativas ao avanço da violência contra indígenas na região. Os relatos, encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF), envolvem agressões físicas, intimidações armadas, tentativas de atropelamento e até a ameaça de contaminação de reservatórios de água potável em áreas demarcadas.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) acompanha de perto ao menos cinco casos de assassinatos registrados na região desde o período eleitoral. De acordo com Matias Benno Rempel, coordenador do Cimi no estado, grupos armados em caminhonetes circularam por territórios tradicionais criando um clima de pânico para coagir e evitar o deslocamento dos votantes.
Apesar do alerta gerado no contexto pós-eleitoral, entidades ressaltam que a agressão no campo é uma constante estrutural. Lideranças do setor destacam que a atuação de milícias rurais contra os Guarani Kaiowá ocorre de maneira contínua, utilizando a conjuntura política recente apenas como pretexto para intensificar ataques históricos.
Investigações e ameaça de envenenamento
Diante dos graves relatos, a Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) exigiram apuração rigorosa. Entre os episódios sob investigação está o atropelamento intencional de um indígena no município de Coronel Sapucaia, localizado na fronteira com o Paraguai.
Outra denúncia alarmante envolve um áudio atribuído a um servidor público de Tacuru, no sul de Mato Grosso do Sul. Na gravação, o homem sugere colocar veneno nos caminhões-pipa que abastecem as comunidades locais como retaliação ao resultado da eleição presidencial.
Conforme explicou Ricardo Terena, coordenador jurídico da Apib, a escassez hídrica na região torna as famílias totalmente dependentes do abastecimento por caminhões. Por receio de contaminação, muitos moradores interromperam o consumo. O MPF estipulou o prazo de 24 horas para que a prefeitura do município esclareça a veracidade dos fatos e identifique o responsável.