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Quarta-feira, 19 de Agosto 2026
Variedades

Inadimplência alta não freia avanço do crédito próprio

Digitalização, análise de dados e Open Finance ampliam possibilidades de concessão de crédito; para André Maniezo, da INFOX Payments, varejistas entram em uma nova fase da oferta de serviços financeiros

Pagina1mt
Por Pagina1mt
Inadimplência alta não freia avanço do crédito próprio
Andre Augusto Clavijos Maniezo, CEO da INFOX Payments
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O varejo brasileiro vive um cenário de contrastes. De um lado, o país registra níveis elevados de inadimplência entre consumidores e empresas. Do outro, o setor continua buscando alternativas para estimular vendas, aumentar a recorrência de compra e fortalecer o relacionamento com os clientes. Nesse movimento, o crédito próprio ganha espaço como uma ferramenta estratégica para os varejistas.

Em maio de 2026, o Brasil chegou a 83,5 milhões de consumidores inadimplentes, segundo a Serasa Experian. O número equivale ao maior patamar da série histórica, com cada consumidor negativado concentrando, em média, cerca de quatro dívidas e um valor aproximado de R$ 6.877,23.

O cenário também é desafiador para as empresas. No mesmo mês, mais de 9 milhões de CNPJs estavam negativados, acumulando R$ 229,9 bilhões em dívidas. Em média, cada empresa inadimplente possuía sete contas em atraso, com dívida média de R$ 25.494,08.

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Apesar das dificuldades, o comércio mantém espaço para crescimento. Segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas do varejo acumulava alta de 1,7% em 2026 até maio e crescimento de 1,4% nos 12 meses encerrados em maio. Na comparação com maio de 2025, houve avanço de 0,4%.

É nesse ambiente que o crédito próprio passa a ser encarado pelo varejo não apenas como uma forma de facilitar o pagamento, mas como uma ferramenta para ampliar vendas, fidelizar consumidores e criar novas possibilidades de relacionamento.

“O crédito próprio deixou de ser apenas uma ferramenta para facilitar o pagamento. Hoje, ele pode fazer parte da estratégia do varejista, permitindo conhecer melhor o consumidor, oferecer uma condição adequada ao seu perfil e, ao mesmo tempo, criar novas oportunidades de relacionamento e geração de receita”, afirma André Maniezo, CEO da INFOX Payments.

Tecnologia muda a lógica da concessão

Durante décadas, o crédito próprio esteve associado principalmente aos cartões private label e aos tradicionais cartões de loja. A digitalização, entretanto, vem ampliando esse conceito, incorporando ferramentas de automação, análise de dados, inteligência artificial e integração de serviços financeiros.

O avanço do Open Finance é parte dessa transformação. Segundo o Banco Central, o ecossistema já alcançou dezenas de milhões de contas conectadas e segue ampliando as possibilidades de compartilhamento de informações financeiras mediante autorização dos clientes. Em agosto de 2025, o BC informou que o sistema contava com 103 milhões de autorizações ativas de compartilhamento de dados, envolvendo 68 milhões de contas.

A infraestrutura continua evoluindo em 2026. Em abril, o Banco Central publicou a versão 7.0 do Manual de Escopo de Dados e Serviços do Open Finance, ampliando e atualizando as especificações do ecossistema.

“Quando conseguimos combinar dados, tecnologia e conhecimento da operação do varejo, a análise deixa de depender apenas de informações tradicionais. O objetivo passa a ser entender melhor o comportamento e o momento daquele consumidor para tomar uma decisão mais adequada”, diz Maniezo.

Para o executivo, a transformação tecnológica não significa simplesmente aumentar a quantidade de crédito disponível, mas melhorar a qualidade das decisões.

“O grande desafio não é simplesmente conceder mais crédito. É conceder melhor. Quando falamos de automação, dados e inteligência na tomada de decisão, estamos falando de buscar equilíbrio entre a oportunidade de venda para o varejista e uma oferta que faça sentido para o consumidor”, finaliza.



Website: https://infoxpay.tech/
FONTE/CRÉDITOS: DINO
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