A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (26), em Sorriso/MT, a Operação Pátio Paralelo, contra um grupo investigado por desvio de veículos, fraudes em negociações comerciais, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, os suspeitos movimentaram aproximadamente R$ 50 milhões em apenas um ano.
Além da concessionária apontada como principal vítima, a investigação identificou, até o momento, entre 15 e 20 clientes que também teriam sido vítimas do esquema.
O prejuízo diretamente comprovado já ultrapassa R$ 2 milhões, mas o valor pode aumentar com o avanço das apurações e a identificação de novas vítimas. A investigação começou após a Delegacia Municipal de Sorriso/MT, por meio do Núcleo de Combate ao Crime de Estelionato e Lavagem de Dinheiro, identificar inconsistências financeiras e comerciais em operações realizadas dentro de uma concessionária do município.
De acordo com a Polícia Civil, os investigados teriam usado a estrutura e a credibilidade da empresa para captar clientes durante cerca de um ano. O esquema envolvia principalmente veículos usados entregues como parte do pagamento na compra de carros novos.
Os clientes entregavam os veículos usados para serem abatidos do valor de entrada, mas, segundo a investigação, os automóveis eram desviados para outras garagens ligadas ao grupo e não tinham o valor descontado da negociação, como havia sido combinado.
Além dos veículos, os suspeitos também teriam desviado valores pagos pelos clientes. O dinheiro era direcionado para contas bancárias de pessoas físicas, terceiros e empresas ligadas aos investigados. A Polícia Civil aponta que empresas e contas bancárias teriam sido utilizadas para movimentar os recursos e dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido por meio das fraudes.
Mais de 20 ordens
Para a operação, a Justiça expediu mais de 20 ordens judiciais, entre elas um mandado de prisão preventiva, sete de busca e apreensão, nove determinações de quebra de sigilo bancário e cinco ordens de bloqueio de ativos financeiros.
Também foi determinado o afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. A medida permitirá aos investigadores reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro, identificar a origem e o destino dos recursos e analisar comunicações e dispositivos utilizados no suposto esquema.
Durante as buscas, poderão ser apreendidos celulares, computadores, notebooks, tablets, HDs, pendrives, cartões de memória, documentos, contratos, comprovantes de transferências, registros financeiros e veículos relacionados aos fatos investigados.
A Justiça determinou ainda o bloqueio de ativos, sequestro de bens e indisponibilidade patrimonial de até R$ 2 milhões, além do sequestro de veículos eventualmente encontrados durante o cumprimento das ordens e que tenham relação com os crimes investigados.
Uma das investigadas teve a prisão preventiva decretada e é apontada como peça central na operacionalização do esquema. Conforme a decisão judicial, ela teria atuado na captação de clientes, condução das negociações, recebimento dos veículos, direcionamento dos pagamentos e movimentação dos recursos.
Pátio paralelo
O nome da operação faz referência ao destino dado aos veículos entregues pelos clientes. Em vez de seguirem o fluxo comercial normal da concessionária, os automóveis seriam encaminhados para um “circuito paralelo”, envolvendo terceiros e empresas relacionadas aos investigados.
As investigações continuam para identificar o destino final dos aproximadamente R$ 50 milhões movimentados, além dos veículos desviados, e verificar a participação de outras pessoas físicas e jurídicas no esquema.