O sonho de finalmente vencer uma ação na Justiça tornou-se o isco perfeito para mais um crime cibernético devastador no interior de Mato Grosso. Nesta última segunda-feira (27), uma moradora do município de Santo Afonso foi vítima de uma quadrilha de estelionatários altamente especializada em engenharia social. O esquema criminoso, que resultou em um prejuízo imediato de R$ 18 mil, acende um alerta vermelho para a crescente onda de golpes envolvendo falsos profissionais do direito e promessas de dinheiro fácil por meio de aplicativos de mensagens.

De acordo com o Boletim de Ocorrência registrado no Núcleo da Polícia Militar (NPM) de Santo Afonso, pertencente à 9ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) de Diamantino, a trama começou de forma bastante convincente. A vítima, identificada pelas iniciais L.B.S.L., recebeu uma mensagem em seu celular de uma pessoa que se passava por sua advogada, utilizando o nome "Suelen". A falsa defensora trazia uma excelente notícia: a moradora havia ganhado uma causa judicial e havia valores disponíveis para saque.

Para dar um ar de extrema oficialidade ao golpe e quebrar qualquer desconfiança, a suposta advogada solicitou os dados bancários da vítima e transferiu o atendimento para um segundo golpista. Este novo indivíduo apresentou-se audaciosamente como "promotor de justiça". Utilizando um vocabulário técnico e persuasivo, o falso promotor passou a orientar a mulher sobre as etapas burocráticas que ela precisaria cumprir no aplicativo de seu banco para que a suposta indenização fosse finalmente liberada em sua conta.

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Completamente envolvida pela narrativa e acreditando estar seguindo um procedimento legal, a vítima acessou o aplicativo do Banco Sicredi e obedeceu às instruções do criminoso. Sob a orientação do falso promotor, ela foi induzida a contratar um empréstimo no valor de R$ 20 mil. Imediatamente após a aprovação do crédito, os golpistas ordenaram que ela realizasse uma transferência de R$ 18 mil para a conta de um suposto "contador" do caso, identificado no sistema bancário como Gilson Ferreira Vera. A transação foi concluída com sucesso, transferindo o dinheiro para a posse dos estelionatários.

A ficha da vítima só caiu horas depois, de forma dramática. Ela percebeu que havia caído em uma armadilha financeira ao flagrar sua própria irmã sendo submetida ao mesmo processo de lavagem cerebral pelos mesmos golpistas, que tentavam arrancar ainda mais dinheiro da família. Desesperada ao constatar a fraude, a mulher procurou imediatamente a base da Polícia Militar para formalizar a denúncia. O caso foi registrado para que as autoridades competentes possam iniciar a apuração e tentar rastrear a conta destino, enquanto a vítima busca junto à instituição financeira uma improvável recuperação dos valores perdidos.

Especialistas em segurança pública reforçam que membros do Ministério Público e advogados reais jamais exigem o pagamento de taxas, transferências antecipadas ou a contratação de empréstimos para liberar alvarás ou indenizações judiciais. Diante de qualquer contato semelhante, a recomendação é encerrar a comunicação imediatamente e procurar presencialmente o fórum ou o escritório de advocacia oficial.

FONTE/CRÉDITOS: DA REDAÇÃO