Francisco Mendes, filho do ministro Gilmar Mendes e vice-presidente da Federação de Futebol de Mato Grosso, desponta como o nome mais cotado para suceder Samir Xaud na presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em meio à disputa pelo controle da futura liga do futebol brasileiro. A articulação ocorre às vésperas da reunião convocada pela entidade para a próxima segunda-feira (06.04), no Rio de Janeiro.

O encontro reunirá dirigentes das Séries A e B e federações estaduais, mas sem a presença dos executivos da Libra e da Liga Forte União (FFU), responsáveis pelas negociações do modelo econômico. A ausência reforça a avaliação de que a reunião deve ter caráter institucional, sem avanços práticos sobre a criação de uma liga independente.

Nos bastidores, o movimento da CBF é visto como tentativa de retomar protagonismo sobre a organização e comercialização do futebol nacional. Dirigentes apontam que a entidade busca centralizar decisões e reduzir a autonomia dos clubes, que discutem um modelo de liga inspirado em experiências internacionais.

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Francisco Mendes tem ampliado sua atuação dentro da estrutura da CBF. Ele é diretor-geral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado por Gilmar Mendes, e atua em parceria com a entidade na gestão da CBF Academy. A proximidade com setores políticos e jurídicos fortalece seu nome na corrida interna pela presidência.

O atual presidente, Samir Xaud, tem mandato até 2029, mas o cenário já indica rearranjos de poder. O vice-presidente Gustavo Dias conduz negociações entre dirigentes e políticos, incluindo pautas como arbitragem e fair play financeiro.

Clubes seguem divididos sobre o modelo de liga. Integrantes da Libra defendem participação da CBF como agente institucional, enquanto clubes ligados à FFU apostam em uma estrutura independente, com entrada de investidores e maior autonomia comercial.

O controle dos direitos de transmissão está no centro da disputa. Desde a Lei Pelé, de 1998, os clubes negociam diretamente suas receitas. A criação de uma liga poderia ampliar esse poder, enquanto a atuação direta da CBF tende a manter influência sobre as decisões.

Entre os principais clubes, Palmeiras e Flamengo exercem papel estratégico. O Palmeiras mantém alinhamento com a CBF e já interferiu em acordos entre os blocos. O Flamengo adota postura cautelosa, evitando confronto direto enquanto avalia os impactos financeiros.

A avaliação interna é de que a entidade trabalha para preservar seu domínio sobre o futebol brasileiro e evitar a divisão de poder com investidores externos. Até o momento, a CBF não comentou oficialmente as críticas. Com informações O Globo.

FONTE/CRÉDITOS: VGN