A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) condenaram operações recentes da Polícia Federal no Maranhão que comprometeram o sigilo da fonte do repórter Luís Pablo. A ação policial investiga suposto monitoramento ilegal do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, mas gerou forte reação de entidades da classe jornalística nesta semana.
A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, cumpriu mandados contra alvos como o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim, apontado pelas apurações como provável informante do repórter. As suspeitas envolvem o repasse e acesso não autorizado a dados sigilosos que embasaram matérias jornalísticas sobre Dino.
Em nota oficial, a Abraji classificou a identificação do informante como uma grave ameaça ao livre exercício da profissão. A entidade destacou que a apreensão de equipamentos de trabalho relativiza garantias fundamentais protegidas pela Carta Magna brasileira, colocando em risco a própria estabilidade democrática.
Na mesma linha, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Maranhão (Sindjor-MA) exigiram esclarecimentos formais das autoridades. As organizações demandam garantias públicas de que os materiais apreendidos não serão utilizados para perseguir outros contatos e reforçam o artigo 5º da Constituição Federal, que protege o segredo profissional.
Posição do STF
Diante da repercussão, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, declarou que o trabalho jornalístico legítimo não pode ser objeto de criminalização, sinalizando que a controvérsia deverá ser apreciada pelo plenário do tribunal. Já o ministro Alexandre de Moraes assegurou que as diligências focam exclusivamente a investigação de vazamentos ilegais de informações sigilosas, e não a repressão ao jornalismo.