A Polícia Federal identificou indícios de que o empresário Luciano Cândido Amaral atuava como operador financeiro do desembargador afastado Dirceu dos Santos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT).

Segundo a investigação, Amaral teria pago despesas do magistrado e realizado diversas transações financeiras com ele.

As informações constam na decisão do ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Gemini, deflagrada nesta segunda-feira (8) para apurar um suposto esquema de venda de sentenças e lavagem de dinheiro.

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De acordo com a Polícia Federal, Luciano teria quitado 11 boletos bancários ligados a Dirceu, em valores que totalizam cerca de R$ 258 mil. Além disso, relatórios de inteligência financeira apontaram transferências diretas e indiretas entre os dois que ultrapassam R$ 600 mil.

“A investigação também apurou que L. C. A. [Luciano Cândido Amaral] atuaria como operador financeiro de D. dos S. [Dirceu dos Santos], com quem manteria vínculos societários diretos e indiretos, além de haver indícios de pagamento de boletos e realização de transferências em favor do magistrado e de familiares”, afirmou o ministro em trecho da decisão.

Desembargador Dirceu dos Santos

O desembargador afastado do TJ-MT, Dirceu dos Santos

Em outro trecho, Noronha destaca que o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) nº 116128 identificou “pagamento de 11 boletos bancários, em montante aproximado de R$ 258.000,00, além de transações diretas e indiretas entre ambos em valores superiores a R$ 600.000,00”.

Luciano Amaral está entre os alvos da Operação Gemini, juntamente com o desembargador Dirceu dos Santos, o deputado estadual Faissal Calil (PL), o advogado Bruno Castro e outros investigados. Todos foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal.

 

Celular de Zampieri

 

A apuração teve como ponto de partida mensagens extraídas do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em dezembro de 2023, em frente ao seu escritório, em Cuiabá.

Segundo a investigação, Luciano Amaral aparecia na agenda de contatos de Zampieri com o apelido “Irmão Gêmeo – DD”.

Para os investigadores, a referência seria uma alusão ao desembargador Dirceu dos Santos e ajudou a embasar as linhas de apuração que resultaram na Operação Gemini.

 

Operação Gemini

 

Ao todo, a operação teve como alvo 16 pessoas físicas e jurídicas. Entre os itens listados nos mandados de busca e apreensão estão um relógio Rolex, 11 canetas de luxo de marcas como Montblanc, uma pistola, um revólver e um fuzil.

Até o momento, a Polícia Federal não informou em quais endereços os objetos foram apreendidos.

Além das buscas domiciliares e pessoais, a decisão judicial autorizou o afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados.

FONTE/CRÉDITOS: CÍNTIA BORGES - MIDIA NEWS