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Um diamante raro encontrado em Juína, no noroeste de Mato Grosso, está chamando a atenção da comunidade científica internacional após pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) identificarem que o mineral é capaz de transportar água para o interior da Terra.
A descoberta foi publicada na revista científica Nature Scientific Reports e pode representar um avanço importante na compreensão de como a água é armazenada e circula a centenas de quilômetros abaixo da superfície do planeta.
De acordo com os pesquisadores, o diamante atua como uma espécie de "veículo" capaz de levar água para regiões extremamente profundas do manto terrestre, onde as temperaturas e pressões são elevadíssimas. Essas condições tornam difícil o estudo direto da composição do interior da Terra.
Segundo a professora e pesquisadora da Universidade Federal de Pelotas, Fernanda Gervasoni, o diamante provavelmente se formou em zonas onde placas tectônicas mergulham em direção ao interior do planeta. Durante esse processo, o mineral passou por intensas transformações sob altas pressões e temperaturas, liberando água e oxigênio.
As primeiras amostras utilizadas na pesquisa foram doadas por garimpeiros da região de Juína. Como o mineral não possui valor comercial significativo, outras amostras foram adquiridas posteriormente por meio do Instituto Serrapilheira para ampliar os estudos.
Os cientistas acreditam que a descoberta pode indicar que o ciclo da água no interior da Terra é mais complexo do que se imaginava. Além disso, a capacidade desse tipo de diamante de liberar água e oxigênio pode influenciar a composição química do manto terrestre e contribuir para processos geológicos de grande escala, como a formação de magmas e a dinâmica das placas tectônicas.