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Sábado, 08 de Agosto 2026
Justiça

Como a ADPF das favelas transformou o combate ao crime organizado no Rio de Janeiro

Ação no STF redireciona investigações para as estruturas políticas e financeiras que sustentam facções, reduzindo a dependência de operações policiais em comunidades.

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Por Pagina1mt
Como a ADPF das favelas transformou o combate ao crime organizado no Rio de Janeiro
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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Após a conclusão do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) em abril de 2025, a ADPF das favelas redefiniu a segurança pública no Rio de Janeiro ao direcionar o foco das forças policiais para a desarticulação de esquemas financeiros e institucionais que sustentam o crime organizado no estado.

Segundo analistas do setor, a medida representou uma guinada histórica. Em vez de limitar as intervenções a incursões armadas em comunidades, as apurações agora miram simultaneamente o braço armado, a vertente econômica e a rede de agentes públicos corruptos que fornecem proteção aos grupos ilegais.

A diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado, Cecília Olliveira, classifica esse movimento como uma "revolução silenciosa". Segundo a especialista, o modelo tradicional mantinha um ciclo ineficiente de confrontos e apreensões pontuais que não desestruturavam o poder das facções a longo prazo.

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Atuação permanente da Polícia Federal

A virada de chave ocorreu quando o STF determinou que a Polícia Federal instaurasse um grupo de trabalho permanente, dedicado de forma exclusiva ao combate às facções fluminenses. A ordem judicial envolveu apoio do Coaf, da Receita Federal e do Fisco estadual.

Na avaliação da jornalista Cecília Olliveira, desdobramentos recentes refletem essa diretriz. Investigações como a Operação Zargun atingiram altas autoridades locais, alcançando policiais, parlamentares, magistrados e secretários de Estado suspeitos de repassar informações sigilosas e facilitar o tráfico internacional de armas.

Sustentação jurídica para investigações profundas

O especialista e ex-policial federal Roberto Uchôa enfatiza que a chancela da Suprema Corte garantiu respaldo político e jurídico inédito para a atuação federal. Para ele, o Estado do Rio não possui capacidade isolada para desmantelar redes que capturaram instâncias governamentais.

Dados do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI) da UFF e do Fogo Cruzado apontam que, entre 2007 e 2024, o domínio territorial de grupos armados na Região Metropolitana cresceu 130,4%, afetando cerca de 4 milhões de habitantes no período.

Foco no topo das estruturas criminosas

Para o advogado criminalista Cristiano Maronna, a decisão reduziu a letalidade nas favelas e forçou as autoridades a investigar o topo da pirâmide. Contudo, Maronna alerta que a dependência excessiva de inquéritos no STF expõe fragilidades estruturais dos órgãos ordinários de investigação.

Origem da ação no STF

Ajuizada pelo PSB em novembro de 2019, a ADPF 635 denunciou violações de direitos fundamentais causadas pela violência policial. Durante a pandemia de covid-19, uma decisão liminar do ministro Edson Fachin já havia determinado a restrição de operações a casos estritamente excepcionais.

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil
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