Nesta sexta-feira (11), Dia Nacional do Cerrado, entidades da sociedade civil lançaram a campanha #VotePeloCerrado para mobilizar a proteção do Cerrado entre os postulantes nas próximas eleições. A iniciativa disponibilizou uma carta-compromisso pública no site votepelocerrado.org.br.
O bioma é estratégico para o equilíbrio hídrico nacional, pois abriga as nascentes de oito das 12 principais bacias hidrográficas do Brasil. No entanto, o avanço da degradação já destruiu mais de 50% da vegetação nativa, reduzindo a vazão média dos rios em 27%.
O documento busca firmar a adesão pública de candidatos aos cargos do Executivo e Legislativo. Segundo Isabel Figueiredo, coordenadora do Programa Cerrado no Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN), a conservação requer planejamento contínuo.
“Precisamos eleger parlamentares que compreendam a importância do Cerrado e não tenham uma visão imediatista que pode comprometer o nosso futuro”, destacou Isabel.
A secretária executiva da Rede Cerrado, Ingrid Silveira, ressaltou as prioridades que devem nortear os compromissos políticos, incluindo o fortalecimento da agricultura familiar, agroecologia e sociobiodiversidade, garantindo acesso a crédito e territórios.
Pontos defendidos na carta-compromisso
A mobilização elenca oito propostas centrais aos candidatos: reconhecer o Cerrado como patrimônio nacional; proteger as águas; assegurar terra e autodeterminação dos povos; e combater a grilagem e a violência no campo.
Além disso, o documento exige mitigar impactos de grandes empreendimentos com consulta prévia, fomentar a agroecologia e a soberania alimentar, e assegurar saúde, educação e participação popular às comunidades.
A articulação é liderada pela Rede Cerrado, que reúne mais de 500 organizações associadas, e pela Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que congrega mais de 60 entidades. O grupo abrange povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares.
Engajamento e alerta socioambiental
Durante o evento de lançamento, Samuel Leite Caetano, presidente do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT) e representante geraizeiro, alertou para o risco de eleger congressistas alheios à pauta ambiental.
“Se a gente não souber votar em quem vai fazer a regularização fundiária, demarcação e gestão dos nossos territórios, a gente vai entregar para outros interesses”, afirmou Caetano, lembrando que a preservação do bioma afeta diretamente o abastecimento das grandes cidades.
A coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, reforçou a urgência de escolher gestores alinhados à ciência, alertando que candidaturas negacionistas tendem a agravar os efeitos da crise climática no país.
