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Milhares de brasileiros que se mudaram para o Paraguai em busca de custos mais baixos, estudos ou oportunidades de negócios enfrentam um pesadelo financeiro inesperado. A intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) no Ueno Bank, após a solvência da instituição cair para menos da metade do piso legal exigido, provocou o congelamento imediato de contas, suspensão de aplicativos e o bloqueio de cartões e maquininhas no país vizinho.
O banco digital atraiu cerca de 3 milhões de clientes — quase 60% da população adulta paraguaia — pela facilidade de cadastro, ausência de burocracia e forte apelo de marketing. Essa simplicidade transformou o Ueno na escolha prioritária de estudantes universitários, pequenos comerciantes e investidores estrangeiros, incluindo a expressiva comunidade brasileira, estimada em mais de 270 mil cidadãos no país.
Com o bloqueio repentino, relatos de desespero se multiplicam nas cidades de fronteira, como Hernandarias e Ciudad del Este. Pequenos empresários relatam que perderam o capital de giro para pagar fornecedores e funcionários, enquanto estudantes e famílias não conseguem movimentar recursos essenciais para arcar com despesas básicas, como aluguel e alimentação, gerando uma crise de liquidez imediata no comércio local.
O Fundo de Garantia de Depósitos paraguaio cobre valores de até 228 milhões de guaranis por titular (aproximadamente R$ 211 mil). Embora a autoridade monetária tenha assegurado o ressarcimento dentro dessa margem, correntistas enfrentam longas filas em agências bancárias tradicionais em busca de alternativas operacionais, sem clareza sobre quando os montantes serão liberados ou se fundos acima do teto estarão protegidos.
O colapso financeiro extrapolou o mercado e desatou uma grave crise institucional. A instituição administrava cerca de 850 milhões de dólares em fundos públicos, sobretudo da previdência social. As suspeitas de conflito de interesses e concessão indevida de créditos a empresas ligadas aos controladores do banco pressionaram diretamente o presidente paraguaio, Santiago Peña, que anunciou sua renúncia ao cargo em meio ao avanço de processo de impeachment.
Apesar do forte abalo nos indicadores de consumo das famílias e na rotina dos imigrantes, analistas econômicos apontam que os fundamentos macroeconômicos do Paraguai seguem estáveis. Contudo, para os brasileiros que migraram em busca de estabilidade, a prioridade imediata é recuperar as economias retidas e contornar a paralisia financeira nos negócios.
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Santiago Peña, presidente do Paraguai desde 2023 que renunciou ao cargo em 5 de novembro de 2026. — Foto: REUTERS/Cesar Olmedo/File Photo
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