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Domingo, 02 de Agosto 2026
Política

Agosto Dourado reforça a importância da amamentação e faz alerta contra fórmulas

Especialistas da Sociedade Brasileira de Pediatria alertam para o assédio da indústria de alimentos e defendem o cumprimento de metas nacionais até 2030.

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Por Pagina1mt
Agosto Dourado reforça a importância da amamentação e faz alerta contra fórmulas
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A campanha do Agosto Dourado mobiliza ações em todo o Brasil para destacar a Semana Mundial do Aleitamento Materno de 2026, cujo tema internacional foca na nutrição sustentável desde o início da vida. A iniciativa do Ministério da Saúde busca fortalecer redes de apoio e conscientizar a sociedade sobre o impacto vital da amamentação para garantir a segurança alimentar e diminuir a mortalidade infantil.

Na prática, a importância dessa rede de apoio foi reafirmada por Lorrany Duarte com o nascimento da sua filha Elisa, em Taguatinga. Mãe pela segunda vez, a dona de casa busca oferecer o leite materno de forma exclusiva nos primeiros seis meses, motivada pelos desafios enfrentados no desenvolvimento de sua primeira filha, que usou fórmula infantil precocemente.

Com o auxílio da irmã Marielly Duarte e o suporte do banco de leite humano do Hospital Regional de Taguatinga, Lorrany consegue superar as dificuldades iniciais do processo. A colaboração familiar e o uso de bombas de extração têm facilitado a rotina diária da mãe, garantindo o alimento necessário para a recém-nascida.

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Assédio comercial das fórmulas infantis

Em entrevista à Agência Brasil, a presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (DCAM-SBP), Rossiclei Pinheiro, alertou contra a pressão exercida pelas indústrias de ultraprocessados. A médica adverte que a publicidade agressiva em hospitais, consultórios e redes sociais tenta substituir indevidamente o leite materno.

Critérios e exceções para prescrição

De acordo com a pediatra, as fórmulas infantis são reservadas para situações específicas. Elas são indicadas apenas mediante avaliação médica ou nutricional, como em casos de mães vivendo com HIV, incapacidade de amamentar ou bebês com alergias graves.

A Sociedade Brasileira de Pediatria tem atuado para aprimorar o treinamento dos profissionais de saúde, capacitando-os no manejo de complicações como fissuras mamilares e empedramento do leite. A meta é evitar prescrições desnecessárias em farmácias e assegurar que a amamentação seja preservada.

Impacto socioeconômico e proteção legal

A promoção do aleitamento também traz benefícios financeiros para as famílias, reduzindo gastos com remédios e substitutos do leite, o que se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. No Brasil, a Lei 11.265/2006 (NBCAL) regulamenta esse setor, proibindo patrocínios a médicos e propagandas enganosas de bicos artificiais, mamadeiras e chupetas.

Segundo a SBP, o uso de bicos artificiais prejudica a dinâmica de sucção da criança, provocando a chamada confusão de bicos e o desmame precoce. Por isso, especialistas desestimulam o uso desses itens que competem diretamente com a amamentação natural.

Metas nacionais e avanços históricos

O Brasil estabeleceu a meta de alcançar 70% de aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida até 2030, superando os objetivos globais. Dados do Estudo Nacional de Nutrição Infantil (Enani) mostram uma evolução histórica expressiva, saltando de 4,7% de amamentação exclusiva na década de 1980 para 45,8% em 2019, sustentados por políticas públicas integradas.

FONTE/CRÉDITOS: Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil
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