O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) prepara a sua maior reformulação pedagógica desde 2009. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apresentou a educadores as diretrizes da nova Matriz de Referência para 2028. As alterações têm como meta alinhar a avaliação à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e combater fórmulas pré-fabricadas de estudo.
A principal mudança em análise atinge diretamente a prova de redação. O modelo tradicional dissertativo-argumentativo de até 30 linhas dará lugar a quatro textos distintos, totalizando cerca de 50 linhas. A proposta prevê 20 linhas para a área de Linguagens e 10 linhas para Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas, testando habilidades específicas em múltiplos gêneros textuais.
Com o desmembramento da escrita, o Ministério da Educação (MEC) quer coibir o uso indiscriminado de "esqueletos" e modelos prontos memorizados para a prova. O participante precisará demonstrar repertório crítico, capacidade de síntese e argumentação técnica aplicados a comandos contextualizados em cada disciplina, valorizando o aprendizado real construído ao longo do ensino médio.
Outro ponto em discussão envolve a extensão do exame, com redução de 180 para 160 questões no total — 80 aplicadas em cada dia. Além disso, o Inep estuda a inclusão de itens abertos ou no formato testlet (questões agrupadas com contextualização compartilhada), aposentando em parte a dinâmica restrita ao preenchimento de gabaritos objetivos.
A avaliação também passará a incorporar os itinerários formativos do Novo Ensino Médio, permitindo aferir o conhecimento com foco nas áreas de interesse dos candidatos. A estrutura foi concebida sob o conceito de "chão baixo e teto alto": enunciados acessíveis para avaliar competências elementares somados a desafios complexos para mensurar desempenhos de nível avançado.
O novo modelo estreitará os laços com o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), gerando diagnósticos detalhados para escolas públicas e privadas. As notas passarão a indicar padrões de proficiência estruturados (Abaixo do Básico, Básico, Adequado e Avançado), ampliando a função do exame para além do acesso ao ensino superior via Sisu, Prouni e Fies.
O Inep ressalta que as medidas ainda estão em fase de debate técnico e não afetam as edições de 2026 e 2027. O documento definitivo deve ser concluído até o término do ano corrente, assegurando que escolas, cursinhos e estudantes tenham tempo hábil de adaptação pedagógica até a estreia prevista para 2028.