Com o pleito de outubro se aproximando no Rio de Janeiro, moradores de favelas apontam a educação, a empregabilidade e o acesso a serviços básicos como prioridades urgentes, deixando a pauta tradicional de segurança pública em segundo plano. O levantamento envolve 2,1 milhões de eleitores que vivem em comunidades fluminenses e cobram presença social do Estado para combater a histórica desigualdade territorial.
Mobilidade e mercado de trabalho
A dificuldade de deslocamento entre as periferias e os centros urbanos impacta diretamente a rotina e o acesso ao mercado formal. Jovens ativistas do Complexo do Alemão e da Rocinha relatam entraves no transporte coletivo que dificultam o estudo e o lazer, além de encarecerem a busca por empregos.
Além da frota reduzida de ônibus, a revisão do regime de trabalho 6x1 é vista como essencial. Para os trabalhadores locais, jornadas exaustivas associadas a longos trajetos impedem a qualificação profissional e o tempo de convivência familiar.
Demandas por educação e saúde
No setor educacional, a demanda por cursos técnicos, polos universitários periféricos e ampliação de vagas em creches inclusivas ganha força. Moradores cobram projetos contínuos, criticando o encerramento precoce de formações profissionalizantes nas comunidades do Rio.
O combate ao racismo estrutural e melhorias no atendimento à saúde também são reivindicados. Especialistas e gestores culturais ressaltam que o racismo ambiental e a precariedade habitacional afetam diretamente o bem-estar físico e emocional das famílias.
Visão sobre a segurança pública
Diferente do foco de discursos eleitorais baseados no confronto armado, eleitores periféricos defendem uma segurança pública pautada na inteligência e na garantia de direitos. A rotina de operações policiais interrompe aulas, fecha postos de saúde e expõe moradores a riscos constantes.
A professora Eblin Farage, da UFRJ, pondera que a ausência de políticas históricas eficientes de proteção faz com que a população busque compromissos diretos com o Legislativo para garantir investimentos estruturais nos territórios.
