Os resultados do Pisa 2025, divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revelam que o Brasil encurtou a distância em relação à média dos países membros. No entanto, especialistas alertam que essa aproximação se deve mais ao recuo das nações desenvolvidas do que a avanços expressivos na aprendizagem dos estudantes brasileiros de 15 anos.
Segundo Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, o país conseguiu evitar retrocessos significativos nos últimos anos, mas o verdadeiro obstáculo permanece na promoção de progressos consistentes e sustentáveis na educação básica.
O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) mensura os conhecimentos em leitura, matemática e ciências. Na edição mais recente, as pontuações brasileiras ficaram em 408 em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências, patamares que mantêm o país abaixo da média dos integrantes da OCDE.
Apesar do avanço histórico comparado ao ano de 2006, o atraso acadêmico ainda é relevante. Em matemática, por exemplo, o déficit do estudante brasileiro equivale a aproximadamente 4,6 anos de escolaridade frente às economias mais avançadas.
Desafios na aprendizagem e desigualdade
Especialistas destacam que apenas 28% dos estudantes atingiram o nível mínimo de proficiência em matemática. Jalman Lima, gerente da CASIO Educação, enfatiza a necessidade urgente de desenvolver o raciocínio crítico e a capacidade de resolução de problemas entre os jovens.
Outro ponto crítico levantado por Rodrigo Fulgêncio, vice-presidente da Abraspe, é a profunda disparidade socioeconômica. Em ciências, a diferença de desempenho entre os alunos mais ricos e os mais vulneráveis atinge 96 pontos, o correspondente a quase cinco anos de estudo.
Uso de tecnologia e ambiente escolar
O relatório do Pisa 2025 também mapeou o impacto do ambiente digital. No Brasil, 81% dos alunos avaliados frequentavam escolas com regras que restringiam celulares, contra 37% em 2022. Além disso, 46% dos estudantes afirmaram utilizar inteligência artificial nas rotinas de estudo.
Analistas reforçam que a expansão de ferramentas digitais não assegurou, por si só, um ganho de conhecimento. O foco atual do ensino deve ser a capacidade de sustentação da atenção, leitura aprofundada e pensamento analítico no século XXI.
