O mercado financeiro elevou a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação no Brasil, de 4,92% para 5,04% para o ano de 2024. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (25) no Boletim Focus do Banco Central, refletindo as expectativas de instituições financeiras e a pressão de fatores como a guerra no Oriente Médio, que impacta a futura decisão sobre a taxa Selic.

Este aumento marca a décima primeira semana consecutiva de elevação na previsão do IPCA para o ano corrente, superando o limite superior da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central. A persistente pressão da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis é um dos principais fatores por trás dessa revisão.

A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Isso significa que o objetivo é manter a inflação entre 1,5% e 4,5%.

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Em abril, a inflação oficial registrou 0,67%, impulsionada principalmente pelos preços dos alimentos. Apesar disso, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), manteve-se em 4,39%, permanecendo dentro do teto da meta estabelecida. Mais detalhes podem ser encontrados aqui.

As projeções para a inflação em anos futuros também foram atualizadas: para 2027, houve uma ligeira alteração de 4% para 4,01%. Já para 2028 e 2029, as expectativas do mercado financeiro apontam para 3,65% e 3,5%, respectivamente.

Taxa Selic

A taxa Selic, principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação, está atualmente fixada em 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Em sua última reunião, realizada em abril, o colegiado optou por uma redução unânime de 0,25 ponto percentual, marcando o segundo corte consecutivo, mesmo diante das incertezas geradas pela guerra no Oriente Médio.

Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o patamar mais elevado em quase duas décadas. A decisão do Copom de retomar os cortes de juros na reunião anterior ocorreu em um contexto de desaceleração da inflação. Contudo, o conflito no Oriente Médio, com seus impactos nos preços de combustíveis e alimentos, adiciona complexidade à atuação do Comitê.

A ata da reunião do Copom não ofereceu indicações claras sobre o futuro da trajetória dos juros. O Banco Central, por meio do documento, comunicou que está acompanhando de perto o conflito e avaliando os potenciais efeitos de sua prolongação sobre a inflação.

A próxima reunião do Copom, crucial para a definição da taxa Selic, está agendada para os dias 16 e 17 de junho.

Para o final de 2026, as projeções dos analistas de mercado, conforme o Boletim Focus, mantêm a taxa básica em 13,25% ao ano. As expectativas indicam uma redução gradual da Selic para 11,25% em 2027 e 10% em 2028, mantendo-se em 10% ao ano em 2029.

A elevação da Selic pelo Copom visa frear uma demanda excessiva, o que, por sua vez, impacta os preços. Juros mais altos tornam o crédito mais caro e incentivam a poupança, podendo, contudo, desacelerar o crescimento econômico.

É importante notar que, ao estabelecer os juros cobrados dos consumidores, as instituições bancárias consideram outros elementos, como o risco de inadimplência, suas margens de lucro e as despesas administrativas.

Por outro lado, a redução da taxa Selic tende a baratear o crédito, estimulando a produção e o consumo. Esse movimento, embora possa aliviar a pressão sobre os preços, também visa impulsionar a atividade econômica.

PIB e câmbio

Na mais recente edição do Boletim Focus, as instituições financeiras ajustaram suas estimativas para o crescimento da economia brasileira em 2024, elevando-as de 1,85% para 1,89%. Para 2027, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, foi revisada para baixo, de 1,77% para 1,7%. O mercado financeiro prevê uma expansão de 2% para o PIB em 2028 e 2029.

Em 2025, a economia do Brasil registrou um crescimento de 2,3%, conforme dados do IBGE. Esse resultado, marcado pela expansão em todos os setores e com notável desempenho da agropecuária, consolida o quinto ano consecutivo de crescimento econômico.

Quanto à taxa de câmbio, o Boletim Focus desta semana indica uma previsão de R$ 5,17 para a cotação do dólar ao final do ano corrente. Para o encerramento de 2027, a expectativa é que a moeda norte-americana atinja R$ 5,26.

FONTE/CRÉDITOS: Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil