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O estado de Mato Grosso continua a registrar números alarmantes no que se refere à hanseníase, mantendo-se na liderança nacional em taxa de detecção da doença. Segundo levantamento do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), divulgado nesta semana, o estado registrou 4.674 novos casos em 2024, superando o número do ano anterior (4.625).
O índice coloca Mato Grosso na posição de maior taxa de incidência da doença no Brasil. Em entrevista ao SBT Comunidade, o médico Anderson Andreu Cunha, especialista em Medicina da Família e Comunidade e Dermatologia, informou que a Baixada Cuiabana figura entre as regiões com maior concentração de casos.
“O estado do Mato Grosso tem a maior incidência de hanseníase no país. O Brasil é o segundo de maior incidência de hanseníase no mundo, perdendo só em números absolutos para a Índia. Em Mato Grosso, a Baixada Cuiabana é um dos centros onde mais tem incidência. Podemos dizer que a gente está no centro mundial de hanseníase. Há um aumento de casos no Estado”, frisou Cunha.
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) informou que cerca de 5,3 mil pessoas seguem em tratamento contra a hanseníase no estado, com cinco óbitos registrados em 2024. Um dado preocupante do levantamento é o elevado percentual de casos diagnosticados com grau 2 de incapacidade, que aumentou de 4,3% em 2009 para 14,6% em 2024. Esse crescimento pode ser reflexo de falhas no diagnóstico precoce e desigualdade no acesso e na qualidade do cuidado em diferentes municípios.
Crescimento real da doença?
Já para o médico Anderson Cunha, o aumento no número de casos pode ser atribuído, em parte, à melhoria nos métodos de diagnóstico e à maior notificação dos casos. Segundo ele, um número maior de diagnósticos não necessariamente indica um crescimento real da doença, mas sim um avanço na identificação e na capacidade dos profissionais em detectar a hanseníase.
As cidades do interior, como Rosário Oeste, e as regiões mais antigas de Mato Grosso também apresentam taxas mais elevadas de incidência, segundo o médico. Ele destaca que a identificação precoce da doença continua sendo um dos maiores desafios no enfrentamento da hanseníase. Por isso, alerta para a importância de a população ficar atenta ao aparecimento de manchas na pele, especialmente aquelas que alteram a sensibilidade, como manchas mais claras ou escuras.
“Qualquer pessoa que tenha uma mancha no corpo, ela sempre tem que procurar um auxílio médico, principalmente se a mancha tem uma alteração de sensibilidade. Qualquer tipo de mancha, seja branca, mais clara, mais escura, com a alteração da sensibilidade. Mas muitas das vezes, essa sensibilidade, ela é sutil. Às vezes é só uma sensibilidade alterada em relação ao calor. Não sente muito o toque quente ou o toque frio”.
Estigma
O médico ressaltou que a hanseníase tem cura, mas o estigma em torno da doença ainda dificulta a procura por tratamento, o que pode levar a diagnósticos tardios e o aparecimento de sequelas.
“A partir do momento que você tem um diagnóstico, você vai iniciar um tratamento com uso de antibióticos, porque nós estamos diante de uma bactéria e a gente eliminando essa bactéria, a gente consegue levar a cura dessa pessoa, principalmente em diagnósticos mais iniciais, porque quando o diagnóstico é mais tardio, a gente já pode ter uma sequela”, explicou.
O tratamento da hanseníase é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com acompanhamento em unidades básicas de saúde e de referência, sem necessidade de internação. O tratamento é realizado com antibióticos. A duração do tratamento varia conforme a forma clínica da doença, e o paciente é acompanhado regularmente por profissionais de saúde.
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