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Mato Grosso encerrou o ano de 2025 como o terceiro estado com a maior taxa de feminicídios por proporcionalidade habitacional no Brasil, ao registrar 53 mulheres assassinadas por razões de gênero.
Os dados integram o relatório "Retrato dos Feminicídios no Brasil", divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), e consolidam o estado, pelo quinto ano consecutivo (2021-2025), no grupo das Unidades da Federação com maior taxa de mortes violentas de mulheres.
A evolução dos casos apurados pelas forças policiais revela uma escalada contínua das mortes no estado: em 2021: foram 43 mulheres mortas; em 2022: 47, em 2023: 46; em 2024: 47 e em 2025: 53.
O levantamento ressalta que esse avanço de mortes não é mero reflexo do aumento de boletins de ocorrência nas delegacias, mas o resultado final do crescimento diário de agressões e abusos no ambiente doméstico.

A análise do Fórum mostra que a morte ocorre após uma sequência contínua de outros crimes que vão se acumulando na rotina da vítima: episódios recorrentes de ameaça, perseguição obsessiva (stalking), violência psicológica, lesão corporal, estupro e tentativas de feminicídio.
A pesquisa aponta que, enquanto os homicídios femininos nas ruas (associados à violência urbana e ao tráfico) vêm caindo, a violência dentro de casa cresce.
Na avaliação dos pesquisadores do Fórum, essa dinâmica expõe a permanência de um padrão cultural em que "o corpo das mulheres segue sendo visto como território alheio". O agressor enxerga a parceira como sua propriedade e reage com extrema violência física a qualquer tentativa de término ou busca por autonomia.
Sancionada em março de 2015 (Lei Federal nº 13.104), a legislação classifica o feminicídio como o assassinato de mulheres motivado por razões da condição do sexo feminino, englobando a violência doméstica e familiar ou o menosprezo e discriminação à condição feminina. O feminicídio raramente ocorre sem aviso. Ele é o ponto final de um histórico prévio de abusos e controle coercitivo que começa com ofensas e ameaças veladas e escala para perseguição e agressões físicas até o desfecho fatal.
Tipificados nos últimos anos no Código Penal (como o stalking — art. 147-A), esses crimes punem o ato de invadir a privacidade da mulher, perseguir seus passos ou causar dano emocional que controle suas decisões. Desde 2024 (Lei nº 14.994), o feminicídio tornou-se crime autônomo, com penas que variam de 20 a 40 anos de reclusão, a maior do sistema penal brasileiro.
Denuncie
A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.
Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.
O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.