A vitória por 3 a 0 sobre o Náutico fez mais do que aproximar o Cuiabá do G-6 da Série B. Depois de dez rodadas do segundo turno, o Dourado chegou exatamente ao nível de aproveitamento que o técnico Eduardo Barros considera necessário para sustentar a reação até o fim da competição.
São 19 pontos conquistados em 30 possíveis no returno — 63,3% de aproveitamento. Com a goleada de segunda-feira (21), o Cuiabá chegou a 43 pontos, assumiu a 10ª colocação e reduziu para três pontos a distância do Atlético-GO, sexto colocado, com 46.
O cenário é bem diferente daquele encontrado no primeiro turno. Ainda assim, Barros tratou de conter a empolgação depois de mais uma vitória por 3 a 0 na Arena Pantanal.
“A gente tem que ter plena consciência que a gente ainda não conquistou nada. Se o campeonato acabasse hoje, nós iríamos todos estar frustrados pela nossa colocação, porque é uma colocação que hoje não nos garante nos playoffs e muito menos uma vaga direta para a Série A”, afirmou.
Segundo o treinador, a recuperação exige justamente um rendimento acima de 60% na segunda metade do campeonato. Após a vitória sobre o Náutico, o Cuiabá ultrapassou essa marca.
ATAQUE FINALMENTE RESPONDE
A goleada também confirmou a mudança de comportamento ofensivo. O Cuiabá finalizou 28 vezes, número muito acima do que o próprio Barros considera satisfatório para um jogo em casa. O time atacou pelos lados, criou chances desde os primeiros minutos e conseguiu manter o Náutico sob pressão durante boa parte da partida.
“São 28 finalizações num jogo em casa. No meu entendimento, está muito acima do que é uma média de finalizações. Eu ficaria satisfeito com um número próximo de 20”, disse Barros.
Lorenzo abriu o placar ainda no primeiro tempo. Kauan Cristtyan marcou duas vezes após o intervalo e terminou como principal destaque. No segundo gol, recebeu passe de calcanhar de Fábio Gomes. No terceiro, aproveitou rebote de Muriel após finalização de Igor Inocêncio.
A variedade dos gols também agrada ao treinador. Barros destacou que o modelo não foi construído para depender exclusivamente de um centroavante.
“O gol, por mais que tenha um indivíduo responsável, o gol sempre vai ser da coletividade”, afirmou. Ele também elogiou Kauan, que recuperou a titularidade depois de oscilar entre banco e time principal durante a competição.
DEFESA COMO BASE
Se o ataque cresceu, a defesa permanece como principal ponto de sustentação. O Cuiabá sofreu apenas 22 gols em 29 partidas e tem a segunda melhor defesa da Série B, atrás apenas do Juventude.
Contra o Náutico, João Carlos voltou a aparecer quando exigido. O goleiro fez uma defesa importante no início do segundo tempo, quando o placar ainda estava em 1 a 0, e evitou que os pernambucanos igualassem a partida.
Barros considera essa solidez o pilar para permitir que laterais, volantes e atacantes apareçam com maior liberdade no campo ofensivo.
A melhora, porém, precisa continuar. Restam nove rodadas, e o Cuiabá ainda tem de recuperar pontos deixados pelo caminho no primeiro turno.
“O que a gente fez hoje foi muito legal, mas acaba hoje. O próximo jogo começa 0 a 0. Nós pontuamos menos do que deveríamos no primeiro turno. Nós não temos gordura”, afirmou Barros.
O próximo desafio é justamente contra um concorrente direto. O Cuiabá enfrenta o CRB no domingo (27), em Maceió. Os alagoanos ocupam a sétima posição, com 45 pontos, dois a mais que o Dourado.
Barros classifica o confronto como decisivo para as duas equipes e aponta o setor ofensivo do CRB como um dos mais perigosos da competição.
A goleada sobre o Náutico recolocou o Cuiabá na disputa. Agora, como resumiu o próprio treinador, o desafio é provar que o desempenho de segunda-feira não foi um ponto fora da curva, mas o padrão necessário para as nove rodadas que restam.