No Dia de Finados, celebrado no Cemitério Campo da Esperança em Brasília, visitantes como Gorete Nascimento, de 71 anos, percorrem longas distâncias para manter viva a memória de seus entes queridos.
Saindo cedo de Cidade Ocidental, em Goiás, Gorete percorre 47 quilômetros para limpar e enfeitar o túmulo de seus familiares.
Ela relata que frequenta o local há 32 anos para cuidar das lápides e recordar momentos vividos com os pais e as três irmãs sepultadas ali.
Outra visitante, a aposentada Neusa Maria Nora, prefere momentos de reflexão na ala mais nova do cemitério.
Sentada à sombra, ela reflete sobre a igualdade final entre todas as pessoas, independentemente de classe social.
Para Marcelo Oliveira, que compareceu ao lado da mãe e da irmã levando flores para o pai, a visita frequente ajuda a lidar com a ausência.
Segundo ele, nem todos da família conseguem retornar devido à forte carga emocional associada ao luto.
Tradição secular
Trazida ao Brasil pelos colonizadores portugueses, a data tem raízes na Abadia de Cluny, na França, onde o monge Odilo estabeleceu orações pelos falecidos no século X.
Embora tenha forte ligação com o catolicismo, o período também mobiliza protestantes e religiões de matriz africana, como candomblé e umbanda, na veneração aos ancestrais.
O reconhecimento oficial como feriado nacional no país ocorreu apenas em dezembro de 2002, por meio de legislação específica aprovada no Congresso.