Os organizadores da Bienal do Livro do Rio de Janeiro lançaram em abril de 2022 a primeira edição da Bienal nas Escolas fora do calendário tradicional do evento principal. Com o objetivo de estimular a leitura e o senso crítico entre os jovens, a iniciativa adota o tema da Copa do Mundo para engajar estudantes de diversas instituições de ensino na capital fluminense.

A jornada começou na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, localizada em Oswaldo Cruz, na zona norte do Rio. A próxima parada, agendada para 11 de junho, será na Escola Municipal Sarmiento, no Engenho Novo, também na zona norte, com a meta de visitar pelo menos seis escolas até o final do ano.

O projeto Bienal nas Escolas é uma colaboração entre a GL Events Exhibitions, responsável pela organização do evento literário, e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). Bruno Henrique, Diretor de Marketing e Conteúdo da GL, destacou à Agência Brasil a importância de levar a iniciativa diretamente aos estudantes.

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"É no ambiente escolar que o senso crítico se desenvolve e onde, ao lado do lar, os pilares da educação e do aculturamento são estabelecidos", pontuou Bruno Henrique. Ele acrescentou que este é um projeto "com muito carinho", nascido da percepção do impacto e da relevância da Bienal do Livro do Rio.

A estratégia do álbum da Copa

Para estabelecer um diálogo efetivo com o entusiasmo da Copa do Mundo, a Bienal introduz nas escolas um "álbum de figurinhas" especial. Este álbum apresenta uma seleção literária global, com personagens icônicos da literatura clássica de diversas nações, como Dom Quixote, Sherazade, Iara, Sherlock Holmes e Peter Pan.

"É impossível ignorar o tema, pois a Copa do Mundo mobiliza nações inteiras, e o Brasil é, sem dúvida, um dos países mais engajados", observou o diretor. Ele ressaltou que, para as crianças, a dinâmica do álbum de figurinhas é um atrativo constante, mesmo para aquelas menos interessadas em futebol.

Através da troca de figurinhas e da busca por completar o álbum, os estudantes estabelecem uma conexão lúdica com as narrativas. Isso amplia seu contato com diversas referências literárias, tornando a leitura uma experiência divertida e interativa.

Bruno Henrique enfatiza que o propósito da Bienal é posicionar o livro em um patamar de ludicidade, entretenimento e prazer, sem deixar de lado seu papel fundamental na educação e na cultura. O lema do projeto para este ano é "Livros Mudam o Jogo".

Com o patrocínio da OLX e da Accenture, a iniciativa prevê a doação de 100 livros para cada escola participante. O objetivo é fortalecer os acervos das bibliotecas e salas de leitura, enriquecendo o ambiente educacional.

Diálogos enriquecedores com escritoras

Na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, a escritora Kiusam de Oliveira, uma figura proeminente na literatura afrodidática, foi a convidada especial. Kiusam sublinhou a relevância da representatividade, da educação e do estímulo à imaginação desde os primeiros anos da infância.

Para a autora, a interação com os alunos foi "potente", especialmente por sua capacidade de reconhecer as histórias e vivências dos estudantes. "Sou uma mulher preta, professora há mais de 40 anos, e essa trajetória permeia minha escrita", declarou.

Kiusam de Oliveira defende que o aprendizado começa com a "leitura do mundo", um processo que antecede até mesmo a decodificação das palavras escritas.

"É isso que me impulsiona como educadora e escritora", afirmou. "Quando a criança se vê e se reconhece nas histórias, ela compreende que pode sonhar e transformar sua própria realidade. Meu compromisso é escrever para que essas crianças aprendam a sonhar e se percebam como seres potentes."

Lara Braga, uma estudante de 10 anos, expressou sua admiração por dois livros de Kiusam: "Com qual penteado eu vou" e "Tayó em quadrinhos".

"Gosto deles porque abordam temas cruciais, como o respeito ao cabelo e à cor da pele", explicou a menina. Ela acrescentou que a leitura nos "tira um pouco das telas e nos leva a outros lugares", contribuindo para a imaginação e o aprendizado futuro.

O próximo encontro literário contará com a presença da escritora Andrea Taubman, que discutirá com os alunos seu livro "Não me toca, seu boboca!", uma obra de grande sucesso entre o público infantil. A seleção dos autores é realizada em colaboração com as secretarias municipais e estaduais de Educação.

Inicialmente, Bruno Henrique detalhou que o projeto planeja visitar cinco escolas este ano, alcançando um mínimo de mil alunos na faixa etária de 6 a 10 anos.

"Contudo, esse número pode ser ampliado caso haja um maior suporte da iniciativa privada", complementou.

Impacto e incentivo à leitura

Desde 2019, a Bienal nas Escolas já alcançou 25 instituições de ensino, com uma média de 170 alunos beneficiados por visita. Somente no ano anterior, 11 escolas participaram do projeto, totalizando 2,2 mil estudantes engajados.

Escritores renomados como Bia Bedran, Thalita Rebouças, Jessé Andarilho e Rodrigo França marcaram presença em escolas da capital e da Baixada Fluminense durante o ano passado.

Uma pesquisa conduzida nas escolas visitadas no ano anterior revelou um notável aumento de 25% na procura por livros em bibliotecas municipais e estaduais.

"Percebemos que, por onde o projeto passou, houve uma transformação no comportamento, na cultura e na busca por livros", afirmou Bruno Henrique. Ele concluiu que o "reforço do impacto positivo no ambiente escolar e o aumento na procura por livros nas escolas no ano anterior foram cruciais para confirmar que estamos no caminho certo com a iniciativa".

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - repórter da Agência Brasil