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O assassino confesso da estudante de Direito Valéria Araújo Corrêa, de 28 anos, revelou em depoimento à Polícia Civil que monitorou a rotina da vítima desde a noite anterior ao crime para confirmar que ela estava sozinha antes de invadir a residência, em Tangará da Serra (a 253 km de Cuiabá), em Mato Grosso.
Durante o interrogatório, ao qual o RepórterMT teve acesso, José Carlos Gomes de Souza contou que passou pela quitinete onde Valéria morava e observou a movimentação da jovem após ela chegar em casa acompanhada por um homem.
Segundo ele, ao verificar a situação, decidiu ir embora e retornou no dia seguinte para executar o assassinato. “Eu peguei, desci, eu vi o carro parado, aí eu peguei e subi de volta. Aí eu vi o carro passando, um Golf branco, daí eu peguei e fui embora”, declarou.
Ainda conforme o depoimento, José Carlos afirmou que voltou ao imóvel na manhã seguinte, passou novamente em frente à residência e, após confirmar que a estudante estava sozinha, pulou o muro lateral da quitinete para invadir o local. “No outro dia cedo eu acordei e passei lá. Passei lá daí, depois peguei e voltei subi lá pra cima, depois eu voltei e pulei lá dentro”, relatou.
Segundo o agressor, ele conheceu Valéria há cerca de dois meses por meio de uma plataforma digital de acompanhantes e manteve encontros com ela em aproximadamente oito ocasiões. Ainda de acordo com ele, o contato era exclusivamente comercial, sem relacionamento afetivo.
José Carlos relatou ainda que utilizava o site Fatal Model para localizar a vítima e que mantinha conversas frequentes com ela por aplicativo de mensagens. Ele afirmou que o crime teria sido motivado por uma suposta vingança após um desentendimento ocorrido cerca de dez dias antes do assassinato.
Segundo o depoimento, após o conflito, ele passou a monitorar a residência da vítima e planejou a invasão. No dia do crime, por volta das 7h30, afirmou ter escalado o muro da quitinete usando uma lixeira nos fundos do imóvel.
De acordo com a investigação, o criminoso entrou silenciosamente na casa, pegou uma faca na cozinha e atacou Valéria enquanto ela dormia. A estudante foi encontrada morta com mãos e pés amarrados e com dezenas de golpes de faca, a maioria concentrada na região do pescoço.
As declarações reforçam a linha investigativa da Polícia Civil de que o crime foi planejado com antecedência. A polícia também investiga violência sexual no caso e aguarda laudos periciais para esclarecer se o abuso ocorreu antes ou depois da morte da vítima.
José Carlos confessou ter desferido 31 facadas contra Valéria e deve responder por feminicídio, estupro e roubo.
Veja vídeo:
Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.
Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.
O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.