A industrial florestal de Mato Grosso enfrente uma crise crescente de mão de obra, mesmo oferecendo salário considerados competitivos para o interior do Estado. O problema, segundo presidente do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (CIPEM), Ednei Blasius, está no alto custo de moradia, na escassez de profissionais qualificados e na concorrência com programas assistenciais.

Durante coletiva nesta quarta-feira (28.01), Blasius afirmou que, em muitos municípios, o salário pago pelas empresas não consegue cobrir despesas básicas, especialmente aluguel.

“Hoje você encontra mão de obra, mas o profissional não consegue se manter. Ele vem para ganhar R$ 4 ou R$ 5 mil e precisa pagar R$ 1.500 ou R$ 2 mil de aluguel. No fim das contas, não sobre nada”, explicou.

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Segundo ele, a situação tem levado empresários a retomarem práticas antigas, como a construção de moradias para funcionários, principalmente para cargos técnicos ou de liderança.

“Tem empresário voltando a fazer colônia, construir casa para gerente, operador de máquina, porque senão o profissional simplesmente não fica na cidade”, relatou.

Outro ponto destacado pelo presidente do CIPEM é a dificuldade de registrar trabalhadores formalmente, porque parte da mão de obra evita empregos com carteira assinada para não perder benefícios sociais.

“Às vezes você encontra o trabalhador, mas ele não quer ser registrado porque tem medo de perder benefício. Isso não é um problema só do nosso setor, mas impacta diretamente a indústria florestal”, afirmou.

A crise ocorre em um momento em que o setor florestal segue relevante para a economia do Estado. Em 2025, a cadeia produtiva da madeira movimentou R$ 3,17 bilhões e gerou mais de 30 mil empregos diretos e indiretos em Mato Grosso. Mesmo assim, a falta de trabalhadores ameaça a expansão e a profissionalização da atividade.

“O setor está cada vez mais tecnológico, mais exigente e mais profissional. Mas, sem mão de obra qualificada, esse crescimento fica limitado”, concluiu.

FONTE/CRÉDITOS: Nicolle Ribeiro & Angelica Gomes/VGNAgro