Após ter o nome associado à Operação Cartório Central, da Polícia Civil de Mato Grosso, a evangélica Mayara Zark, moradora de Rosário Oeste, divulgou um vídeo em suas redes sociais com mais de quatro minutos de duração no qual faz um relato detalhado sobre os acontecimentos que culminaram em sua prisão e posterior concessão de liberdade provisória.

Logo no início do vídeo, Mayara afirma que a gravação tem caráter exclusivamente de esclarecimento. Dirigindo-se ao público evangélico, ela inicia a fala desejando “a paz do Senhor” e se apresenta como irmã Mayara. Segundo ela, a decisão de se manifestar publicamente foi tomada após conversas com a família e com seus pastores, que entenderam ser necessário que ela explicasse tudo o que viveu nos dois dias em que esteve presa.

No pronunciamento, Mayara afirma que a investigação teve origem na venda de uma casa localizada em Cuiabá, imóvel que, segundo ela, era de conhecimento de pessoas próximas. De acordo com o relato, a venda ocorreu por decisão própria do casal após a mudança da família, com o objetivo de construir uma nova residência. A negociação, segundo Mayara, foi feita por ela e pelo marido.

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Ela explica que o pagamento do imóvel foi realizado via transferência Pix diretamente em sua conta bancária. Mayara afirma que, posteriormente, ficou sabendo que a pessoa que efetuou o pagamento estaria envolvida em algum tipo de atividade criminosa ou ilícita, embora diga não saber detalhar exatamente a natureza desse envolvimento. Segundo ela, foi a partir dessa situação que ocorreu a operação policial e surgiram as acusações de lavagem de dinheiro, associação criminosa, organização criminosa e envolvimento com tráfico de drogas.

Visivelmente emocionada, Mayara relata que foi surpreendida dentro de sua casa por um delegado da Polícia Civil portando mandado de prisão. Ela faz questão de destacar que a abordagem ocorreu de forma respeitosa e que o delegado não causou qualquer constrangimento aos seus filhos. Ainda assim, afirma que o momento foi extremamente difícil.

Após a prisão, Mayara conta que foi levada à Delegacia da Polícia Civil de Rosário Oeste, onde permaneceu detida em uma cela. Em seguida, foi conduzida algemada ao hospital do município, que fica próximo à sua residência. Ela relata que foi vista por pessoas que a conhecem, o que acabou gerando repercussão, já que afirma ser uma pessoa conhecida na cidade e no meio religioso.

Durante o vídeo, Mayara reforça diversas vezes que a gravação não tem o objetivo de “provar algo para as pessoas”, mas sim de esclarecer os fatos. Ela afirma saber que possui muitos seguidores e pessoas que a acompanham, inclusive irmãos da igreja que estariam orando por ela.

Segundo Mayara, o valor apontado pela investigação como proveniente de organização criminosa corresponde exclusivamente ao pagamento pela venda da casa em Cuiabá. Ela relata que os dias em que esteve presa foram extremamente difíceis, tanto para ela quanto para sua família, e afirma que nunca havia passado por situação semelhante, destacando que sequer havia sido chamada anteriormente para situações simples do cotidiano, o que a deixou ainda mais assustada.

No vídeo, ela agradece de forma enfática o apoio recebido, afirmando ter se sentido acolhida, amada e abraçada pelas orações. Mayara cita nominalmente pastores que entraram em contato oferecendo apoio espiritual e também agradece familiares que estiveram ao seu lado durante o período.

Ela também agradece ao primo e advogado, doutor Henrique Albuquerque, e à equipe jurídica responsável pela defesa, que conseguiu a concessão de liberdade provisória, permitindo que ela responda ao processo em casa. Mayara afirma que ainda não havia sido ouvida oficialmente e que, até aquele momento, apenas a acusação havia sido considerada.

Ao encerrar o vídeo, Mayara faz uma reflexão religiosa, citando um trecho bíblico do livro de Jó, no qual afirma crer que nada acontece sem um propósito e que a provação vivida faz parte de um plano maior. Ela diz confiar que Deus continuará guiando sua vida e de sua família durante o processo.

OPERAÇÃO CARTÓRIO CENTRAL

A Operação Cartório Central foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso com o objetivo de desarticular uma facção criminosa com atuação em diversas regiões do estado e em outros seis estados do país. A ação foi coordenada pela Delegacia de Primavera do Leste e resultou no cumprimento de 471 ordens judiciais, entre mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueios judiciais.

Segundo as investigações, o grupo criminoso possuía uma estrutura organizada, com divisão de funções, hierarquia interna, controle financeiro e logística própria, responsável por coordenar atividades ilícitas como tráfico de drogas, extorsão, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

De acordo com a Polícia Civil, a facção mantinha um sistema próprio de arrecadação de valores, repasses financeiros e cobrança de dívidas ilícitas, além da organização do comércio de entorpecentes e da imposição de regras internas aos seus integrantes.

No âmbito da operação, uma mulher foi presa em Rosário Oeste por ordem da 1ª Vara Criminal de Primavera do Leste. Conforme a polícia, ela seria responsável por atuar como “facilitadora” do grupo criminoso, recebendo em sua conta bancária transferências consideradas expressivas, supostamente oriundas do tráfico de drogas, colaborando para a movimentação e dissimulação de recursos ilícitos.

A Polícia Civil informou que os trabalhos da Operação Cartório Central seguem em andamento, com diligências para localizar outros investigados, contabilizar o material apreendido e aprofundar as investigações.

Veja o vídeo publicado:

FONTE/CRÉDITOS: ROSARIO NEWS