A Justiça de São Paulo confirmou falhas na atuação da Enel durante o grave apagão provocado por um ciclone extratropical em São Paulo nos dias 9 e 10 de dezembro de 2025. Mais de 2 milhões de pessoas sofreram com a interrupção no fornecimento de energia elétrica na ocasião.
Analisando a ação civil pública movida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, o judiciário recusou a tese da empresa de que o clima severo eximiria totalmente sua culpa.
De acordo com o MPSP, embora o temporal tenha iniciado os cortes, a extensão dos prejuízos e a lentidão no restabelecimento decorreram de falhas estruturais e operacionais da companhia.
O órgão reforça que intempéries integram os riscos inerentes à concessão, exigindo capacidade preventiva adequada.
Principais falhas apontadas:
- Concentração de equipes no horário comercial;
- Forte redução de efetivo noturno e na madrugada;
- Uso insuficiente de veículos pesados;
- Emprego de equipes sem preparo para casos complexos;
- Baixa resolutividade e falhas no controle de vegetação.
Dados da Aneel
Conforme registros da Aneel, a rede acumulou 6.715 ocorrências de interrupção em 10 de dezembro. Quase metade ultrapassou 24 horas para solução, atingindo centenas de milhares de imóveis.
A Justiça concluiu que, embora o vento forte explique o início dos danos, a demora extrema na recomposição evidenciou falhas graves de planejamento da distribuidora.
Posicionamento da Enel
Por nota, a Enel alegou que sua atuação seguiu proporção compatível com a magnitude do evento climático severo.
A companhia destacou que mobilizou cerca de 1,6 mil equipes durante o dia e que a retomada foi mais ágil do que em crises anteriores ocorridas em 2023 e 2024.
