Os moradores da Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas, contarão com transporte gratuito no próximo domingo (25), durante o segundo turno das eleições gerais, após confirmação de um acordo logístico firmado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) com lideranças locais.
A medida foi selada em reunião conduzida pela juíza Dálethe Borges Messias, responsável pela 42ª Zona Eleitoral, na última quarta-feira (21). O objetivo é viabilizar o deslocamento dos eleitores e garantir o exercício pleno do direito ao voto na região fluvial.
Durante a votação do primeiro turno, a magistrada acompanhou de perto a logística e a entrega das urnas eletrônicas nas comunidades de Paraíso e Remancinho para assegurar o pleito.
Para a etapa deste domingo, a juíza solicitou a apresentação formal da lista de embarcações que prestarão o serviço. A relação deve identificar os tripulantes responsáveis e os apoios prestados por órgãos parceiros, garantindo o cumprimento das normas e a fiscalização da operação.
O Tribunal determinou ainda que, para os pleitos futuros, as comunidades deverão enviar previamente dados estruturados. As informações devem cobrir mapas de rotas fluviais, níveis de navegabilidade, quantitativo estimado de eleitores e frota disponível.
Desafios e relevância do Vale do Javari
A Terra Indígena Vale do Javari possui 8,5 milhões de hectares na tríplice fronteira do Brasil com Peru e Colômbia. O território, homologado em 2001, abriga mais de 6 mil indígenas de sete etnias distribuídos em 74 aldeias, além da maior população de povos isolados do planeta.
Por conta do acesso complexo e da extensão territorial, a região sofre com a presença de redes de narcotráfico, garimpos ilegais, biopirataria e desmatamento. A vulnerabilidade local ficou em evidência em 2022 com os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips no Rio Itaquaí.