O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, fez duras críticas à atuação de lobbies empresariais que, segundo ele, estão travando importantes iniciativas governamentais. As denúncias, feitas durante o programa Bom Dia, Ministro da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), apontam para a obstrução da proposta que visa encerrar a jornada 6 por 1 no Senado e a criação de obstáculos por parte de bancos na implementação do programa Move Brasil, que busca facilitar o acesso a veículos para taxistas e motoristas de aplicativos.

O programa Move Brasil Aplicativos, uma iniciativa do governo federal, foi concebido para simplificar a aquisição de veículos por taxistas e motoristas de aplicativos. Contudo, conforme o ministro, a ação de determinados grupos empresariais tem se mostrado um entrave significativo para medidas que beneficiam trabalhadores e expandem oportunidades, especialmente para a população de baixa renda.

No que tange ao Move Brasil, Boulos detalhou que a maioria dos pedidos de financiamento para aquisição de veículos, tanto por taxistas quanto por motoristas de aplicativos, tem sido rejeitada pelos bancos sem justificativas claras ou aceitáveis.

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“Na implementação do Move Brasil, enfrentamos três problemas cruciais. O principal deles é a recusa massiva de pedidos de crédito, mesmo quando os solicitantes possuem o nome limpo”, explicou o ministro.

Ele ressaltou que as instituições bancárias têm invocado conceitos como “score”, “rating” e “taxa de risco” para negar o acesso ao crédito. Tal postura, na visão de Boulos, é incoerente, dado que esses empréstimos são amparados por um fundo garantidor do governo.

“É inadmissível essa situação, pois o diferencial do Move Brasil em relação às linhas de crédito convencionais é a existência de um fundo garantidor estatal. Se o solicitante tem o nome regularizado e o governo oferece essa garantia, o crédito deveria ser aprovado”, enfatizou.

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Obstáculos no acesso ao crédito

O segundo entrave identificado por Guilherme Boulos reside na prática de alguns bancos de cobrar taxas para o acesso às linhas especiais de crédito do programa Move Brasil.

“Os bancos estão, mais uma vez, agindo de forma desrespeitosa. Estão exigindo pagamentos de entrada, o que não é obrigatório. Motoristas, caso uma instituição bancária faça essa cobrança, não aceitem e busquem outro banco”, alertou o ministro.

Um terceiro problema apontado por Boulos refere-se à ausência de um link automático eficaz que conecte os bancos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável por operacionalizar a linha de crédito de R$ 30 bilhões destinada ao Move Brasil.

Como consequência dessa falha de comunicação, motoristas que tiveram o crédito aprovado têm enfrentado dificuldades para finalizar a contratação, conforme denunciado pelo ministro.

Diante desses desafios, Boulos assegurou que o governo federal já está mobilizado para corrigir as falhas e garantir a plena execução do programa.

“Convocaremos os bancos para que a situação seja devidamente normalizada. A atenção será especial com as instituições privadas, onde grande parte das dificuldades tem se manifestado”, declarou.

Jornada 6 por 1

Lobbies contra o fim da jornada 6 por 1

A outra frente de atuação dos grupos econômicos, segundo Boulos, concentra-se no Senado Federal. Lá, com o apoio do presidente da casa, Davi Alcolumbre, há uma articulação contrária à aprovação da proposta que visa pôr fim à jornada de trabalho 6 por 1.

“É injustificável que uma pauta de interesse nacional, com mais de 70% de aprovação popular, permaneça engavetada por mais de um mês, aparentemente por conta de interesses secundários”, criticou o ministro.

Ele defendeu a medida, argumentando: “Trata-se de garantir o merecido descanso aos trabalhadores, livrar milhões de brasileiros da exaustão e permitir que desfrutem de mais tempo com suas famílias. A força dessa pauta não é aleatória; ela representa um verdadeiro clamor por liberdade para o trabalhador brasileiro”.

Para Boulos, a postura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é um “erro grave”, classificando-a como “brincar com fogo”. O ministro enfatizou a “atuação descarada” de setores e grandes associações empresariais na tentativa de barrar o fim da jornada 6 por 1.

Ele acusou essas entidades de praticarem “terrorismo patronal”, ao propagarem a ideia de que a redução da jornada de trabalho resultaria em aumento de preços ou que a economia não suportaria o impacto da mudança.

“Essa narrativa não se sustenta mais. Existem estudos que comprovam os efeitos positivos do fim da jornada 6 por 1 para o varejo, comércio e serviços, assim como ocorreu com os reajustes reais do salário mínimo”, argumentou Boulos, refutando as alegações de impacto negativo.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil