Uma canetada em Washington acaba de mudar o xadrez da segurança pública e das finanças no Brasil. A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais não é apenas um marco no combate ao crime organizado: é um evento com potencial para gerar tremores nas mesas de operação do mercado financeiro brasileiro.

Embora a notícia pareça restrita às páginas policiais, a medida tem um efeito dominó imediato na economia. Quando os EUA rotulam um grupo como "terrorista", eles ativam um dos arsenais financeiros mais pesados do planeta: o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). E é exatamente aí que o mercado local começa a sentir o golpe.

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O pesadelo do "Compliance" e os bancos brasileiros

A primeira e mais agressiva consequência atinge o sistema bancário. Com a nova classificação, qualquer instituição financeira que movimente, mesmo de forma indireta e acidental, recursos ligados ao PCC ou ao Comando Vermelho, pode sofrer sanções bilionárias do governo americano ou até ser excluída do sistema financeiro global (Swift).

Para os bancos brasileiros, isso significa um custo operacional astronômico. As áreas de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro terão que redobrar as varreduras e adotar critérios dignos de zonas de guerra para aprovar créditos, abrir contas corporativas ou aceitar investimentos estrangeiros. Esse excesso de rigor pode travar o fluxo de crédito no país em um momento em que a economia busca aceleração.

"Risco Brasil" em alta e a fuga de dólares

Outro ponto de tensão que tira o sono dos investidores é a percepção do "Risco Brasil" no exterior. Para os grandes fundos internacionais que alocam bilhões em mercados emergentes, a notícia de que o país abriga organizações agora equiparadas pela Casa Branca a grupos como Al-Qaeda ou ISIS gera um desconforto profundo.

O capital estrangeiro é, por natureza, avesso a riscos jurídicos e institucionais graves. O temor de que o Brasil não consiga blindar sua economia formal da infiltração do dinheiro ilícito pode afastar Investimentos Estrangeiros Diretos (IED).

Qual o reflexo prático disso? Menos dólares entrando no país. Com a oferta da moeda americana reduzida, a tendência é de alta na cotação do dólar frente ao real. Um dólar mais caro encarece importações, pressiona a inflação e, consequentemente, obriga o Banco Central a manter os juros elevados por mais tempo.

O que o investidor deve monitorar agora?

Para quem investe, o momento exige cautela e atenção ao noticiário internacional. Analistas do mercado avaliam que a volatilidade na Bolsa de Valores (B3) deve aumentar nos próximos dias, especialmente para papéis do setor financeiro, que ficam sob a mira do escrutínio americano.

A bola agora está com o governo brasileiro, que precisará demonstrar aos parceiros internacionais e ao mercado que possui mecanismos robustos para isolar essas facções e colaborar com o Tesouro americano. Até que essa confiança seja estabelecida, o mercado local operará com um "prêmio de risco" embutido, precificando o custo de ter, dentro de suas fronteiras, grupos agora considerados inimigos globais pelos Estados Unidos.

FONTE/CRÉDITOS: DA REDAÇÃO