O agronegócio brasileiro consolidou nesta terça-feira (16) uma conquista inédita no cenário global. Pela primeira vez na história recente, o Brasil superou os Estados Unidos e se tornou o maior produtor de carne bovina do mundo em 2025. A informação foi confirmada em relatório oficial divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Segundo os dados apresentados, a produção brasileira atingiu a marca de 12,35 milhões de toneladas neste ano. O volume foi suficiente para ultrapassar a produção norte-americana, que fechou o período com 11,81 milhões de toneladas.

Até então, o Brasil já ostentava o título de maior exportador mundial da proteína, mas a liderança no volume total produzido — que inclui o consumo interno — pertencia historicamente aos norte-americanos. Desde 2021, início da série histórica detalhada pelo relatório atual, o Brasil nunca havia ficado à frente dos EUA neste quesito.

Leia Também:

 

Crise no pasto norte-americano

A mudança no ranking global não se deve apenas ao desempenho brasileiro, mas principalmente a uma crise severa enfrentada pelos pecuaristas dos Estados Unidos. O país registra atualmente o menor estoque de gado dos últimos 75 anos.

Fatores climáticos e econômicos criaram uma "tempestade perfeita" para o setor nos EUA:

  • Seca prolongada: A falta de chuvas queimou áreas vitais de pastagem, dificultando a criação extensiva.

  • Custos de produção: O preço da alimentação animal disparou, forçando fazendeiros a reduzirem seus rebanhos precocemente.

  • Restrição de importação: Desde maio, os EUA suspenderam a maioria das importações de gado do México devido a preocupações sanitárias com a "bicheira-do-Novo-Mundo", restringindo ainda mais a oferta de animais.

 

Impacto na indústria

A escassez de bois prontos para o abate gerou consequências imediatas na indústria frigorífica norte-americana. Com a matéria-prima escassa e cara, grandes companhias anunciaram o fechamento de unidades.

A brasileira JBS, maior processadora de carnes do mundo, informou na última sexta-feira (12) o fechamento permanente de uma fábrica nos arredores de Los Angeles. No mesmo caminho, a concorrente Tyson Foods anunciou que encerrará as atividades de uma importante planta de abate em Nebraska em janeiro, o que deve impactar cerca de 3.200 empregos.

Enquanto o cenário nos EUA é de retração e ajuste, o Brasil segue demonstrando a força de sua cadeia produtiva, garantindo o abastecimento interno e ampliando sua presença nas mesas de consumidores ao redor do globo.

FONTE/CRÉDITOS: DA REDAÇÃO