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A cirurgiã-dentista Samara Martins, pré-candidata à Presidência da República pela sigla de esquerda Unidade Popular (UP), voltou a defender uma das propostas mais controversas no debate sobre segurança pública no país: a desmilitarização das polícias, que na prática implicaria o fim da Polícia Militar nos moldes atuais.
Em entrevista ao site Opera Mundi, Samara declarou abertamente apoio à medida e afirmou que a proposta busca transformar a forma como os agentes de segurança são inseridos na sociedade.
“A gente faz nos protestos, fala, né? Eu quero o fim da Polícia Militar. Muita gente fala assim: ‘Ai, que absurdo, vocês são os radicais, né?’. Mas é isso, é no sentido de desmilitarizar para que esses sejam tratados como trabalhadores, que é o que eles são, e que o povo não seja tratado como um inimigo”, disse.
A pré-candidata também argumentou que a atual estrutura militar das corporações limita a participação dos próprios policiais nas decisões internas. Segundo ela, a proposta da legenda inclui dar mais voz aos agentes.
“A gente defende nesse sentido de que eles possam inclusive opinar, porque eu não acredito que um militar queira fazer uma operação daquela que fez no Rio de Janeiro, de subir para guerrear contra o seu povo, matar mais de 130 pessoas e depois ficar bem da cabeça com isso”, afirmou.
A pauta não é nova dentro da Unidade Popular. Nas eleições presidenciais de 2022, quando Samara integrou como candidata a vice-presidente a chapa liderada por Leonardo Péricles, o programa de governo já previa explicitamente o fim da Polícia Militar.
O documento defendia a reorganização da política nacional de segurança pública com participação popular e a desmilitarização das polícias estaduais. Entre os objetivos citados estavam o combate à lógica de “inimigo interno”, a aproximação entre população e forças de segurança e o aumento da eficiência do sistema de inteligência no enfrentamento ao crime organizado.
A proposta de desmilitarização das polícias é tema recorrente em debates acadêmicos e políticos no Brasil e divide opiniões entre especialistas, autoridades e a sociedade civil, especialmente por envolver mudanças estruturais profundas no modelo de segurança pública vigente.
