O caso, que chocou até mesmo as equipes de segurança pela sua brutalidade, ocorreu no bairro Jardim Vitória. Devido à extrema gravidade da situação, a Polícia Judiciária Civil pediu que a prisão fosse convertida em preventiva, ou seja, sem prazo para ela ser solta.

A Polícia Militar foi chamada pelo rádio de emergência (CIOSP) às pressas para atender o que foi classificado como uma ocorrência de grave violação de direitos humanos e violência doméstica. De acordo com os registros policiais, quem pediu socorro foi a própria filha mais nova, de apenas 12 anos.

Os policiais detalharam o relato chocante da menina no momento do resgate: “Segundo a solicitante, a genitora tentou agenciar relações sexuais das vítimas com terceiros em um estabelecimento comercial (bar), estipulando o valor de R$ 250,00 pela transação”.

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A perseguição e o socorro dos vizinhos

O terror das meninas não parou no bar. Segundo o depoimento do Sargento da PM que atendeu o caso, a recusa e a fuga das meninas geraram uma perseguição. O policial registrou no documento que, “após a oferta, um dos indivíduos presentes no local passou a perseguir a vítima até sua residência (kitnet), onde tentou forçar a entrada para concretizar o ato sexual”.

A tragédia só não se consumou porque os moradores da vila perceberam o desespero. “A investida só foi interrompida devido à intervenção oportuna de vizinhos, momento em que o agressor evadiu-se”, destacou o sargento em seu relato oficial.

Revelação de abusos anteriores

Enquanto era acolhida pela polícia militar, a menina de 12 anos fez mais uma denúncia assustadora, revelando um cenário de vulnerabilidade contínua. O registro da Polícia Militar aponta que, “durante o atendimento, a vítima relatou ainda um fato de extrema gravidade: afirmou ter sido vítima de estupro no dia 25 de janeiro de 2026”.

A versão da mãe na delegacia

Na delegacia, a mãe foi interrogada pela delegada plantonista. Ciente de seus direitos, ela não quis chamar um advogado e decidiu dar sua versão.

Em sua defesa formal, “a interroganda nega os fatos”. Ela apresentou a seguinte justificativa sobre a noite do crime: “Narra que deixou as duas em casa e foi para o bar aonde fez uso de bebida alcoólica, afirma que ficou alcoolizada e nega ter levados suas filhas para o bar”.

Sobre o homem que perseguiu as meninas até a quitinete, a mulher “nega ter levado alguém para sua casa, contudo a vizinhança confirmou que um homem foi lá e ele teria ido embora”. Sem conseguir explicar como o agressor sabia onde elas moravam, ela resumiu sua justificativa afirmando: “…eu estava embriagada e não sabia o que estava fazendo…”.

Sobre o estupro que a filha de 12 anos sofreu em janeiro, a mãe afirmou que só tomou conhecimento do fato quando a menina contou aos policiais militares.

Durante o interrogatório, a mãe expôs um histórico familiar trágico e de exploração. Ela relatou que, na adolescência, sua falecida madrasta a forçava a se prostituir, e que a mesma madrasta teria feito o mesmo com outra filha dela. A suspeita alegou que, devido a esses traumas, faz tratamento psicológico e toma medicações para depressão profunda desde o ano de 2024.

Decisão da Polícia

Apesar da versão apresentada, a delegada responsável entendeu que os relatos e as provas eram suficientes para confirmar a prisão em flagrante pelo crime previsto no artigo 218-B (favorecimento da prostituição de criança, adolescente ou vulnerável). Não foi arbitrada fiança. As menores foram encaminhadas para atendimento especializado no setor psicossocial da unidade.

FONTE/CRÉDITOS: por Rogério Florentino - CONEXÃO MT