Neste 7 de Setembro, o Brasil volta a vestir verde e amarelo com hinos nas ruas, bandeiras nas janelas e discursos que lembram o grito às margens do Ipiranga. No entanto, a independência de uma nação não se pode medir pelo volume dessas celebrações, mas sim pela liberdade que permanece quando a festa termina.
Um país não é verdadeiramente independente quando seus cidadãos têm medo de falar, jornalistas precisam calcular cada palavra para não serem perseguidos e veículos de comunicação recorrem aos tribunais muitas vezes sem sucesso apenas para exercer o direito de informar.
Nos últimos anos, reportagens foram retiradas do ar, informações de interesse público sofreram restrições e houve tentativas de quebrar o sigilo de fontes protegido pela Constituição.
A censura costuma voltar sem se apresentar por esse nome e prefere vestir a roupa da decisão urgente, da proteção da honra, do combate à desinformação ou da “defesa” da democracia.
A Constituição de 1988 garante a liberdade de expressão, assegura o acesso à informação, protege o sigilo da fonte e proíbe a censura, mas o que está claro no papel vem sendo desafiado na prática.
A crise alcançou até a mais alta Corte do país, onde relatórios policiais e mensagens atribuídas a autoridades ampliaram as suspeitas de relações impróprias com empresários e as acusações cruzadas entre ministros.
Nenhuma toga pode servir de escudo contra a fiscalização nem o sigilo pode esconder fatos de interesse nacional ou impedir perguntas legítimas.
Sem informação, o cidadão vota no escuro, paga impostos sem saber para onde vai o dinheiro e assiste às instituições decidirem seu destino atrás de portas fechadas.
Sempre caberá à imprensa fazer perguntas porque quem exerce o poder deve explicações e quem guarda a Constituição tem obrigação ainda maior de respeitá-la.
Passados 204 anos desde a Independência, o brasileiro ainda precisa defendê-la dos abusos cometidos pelos próprios governantes, do autoritarismo, da corrupção e das tentativas de controlar o que a população pode saber.
