Nesta terça-feira (13), a Polícia Federal (PF), em colaboração com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, deu início à nona fase da Operação Overclean. O objetivo é desmantelar um esquema criminoso que supostamente desviava verbas públicas originadas de emendas parlamentares, além de praticar corrupção e lavagem de dinheiro.

Conforme comunicado da PF, estão em andamento nove mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em localidades da Bahia e no Distrito Federal. O deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-Bahia) figura como o principal investigado.

“O STF ordenou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas envolvidas na investigação, buscando assim impedir a movimentação de recursos de procedência ilícita e garantir a preservação de bens para um possível ressarcimento ao erário”, especificou a nota.

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Os indivíduos sob investigação, de acordo com a PF, podem ser responsabilizados por delitos como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraudes em licitações e contratos administrativos, bem como lavagem de dinheiro.

Etapas anteriores

A Operação Overclean teve sua fase inaugural em 10 de dezembro de 2024, focando na apuração do direcionamento indevido de verbas públicas, oriundas de emendas parlamentares e convênios, para empresas e pessoas físicas com vínculos a administrações municipais baianas.

Naquele período, a PF revelou que o esquema criminoso recebia suporte de policiais, que forneciam dados confidenciais à quadrilha, incluindo a identidade de agentes federais participantes de investigações secretas.

Em suas investigações iniciais, também em dezembro de 2024, a Overclean contou com a colaboração da Agência Americana de Investigações de Segurança Interna (Homeland Security Investigations) para investigar o desvio de recursos públicos de emendas parlamentares e convênios.

Existiam indícios de superfaturamento em projetos de obras e de desvio de verbas para “empresas e indivíduos conectados a gestões municipais”, totalizando uma movimentação estimada em R$ 1,4 bilhão.

A PF comunicou, àquele tempo, que o “esquema fraudulento teria impactado diretamente o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), especialmente sua Coordenadoria Estadual na Bahia, e também outras entidades públicas”.

Em decorrência de ordem judicial, oito funcionários públicos foram destituídos de seus cargos.

Etapas mais recentes

Durante a quarta fase da operação, em junho de 2025, foi ordenada a suspensão de dois prefeitos baianos, Humberto Raimundo Rodrigues de Oliveira, de Ibipitanga, e Alan Machado, de Boquira, ambos sob suspeita de desviar emendas parlamentares.

Na quinta fase da Overclean, ocorrida em julho de 2025, o grupo investigado teria manipulado processos licitatórios e desviado verbas públicas de emendas parlamentares destinadas à cidade baiana de Campo Formoso.

Conforme os apuradores, também houve tentativas de obstruir o andamento das investigações. Na ocasião, o Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio de R$ 85,7 milhões em contas de indivíduos e empresas sob escrutínio.

A sétima etapa da Overclean teve início em 16 de outubro. Nesta fase, uma medida cautelar foi emitida, resultando no afastamento de um servidor público suspeito de envolvimento no esquema.

Mandados de busca e apreensão foram executados nas cidades baianas de Riacho de Santana e Wenceslau Guimarães, além de Arraial do Cabo (RJ).

Já na oitava fase da operação, realizada no final de outubro, cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Brasília, São Paulo, Palmas e Gurupi (TO), por decisão do STF.

* Colaboração de Gabriel Brum, da Rádio Nacional

FONTE/CRÉDITOS: Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil*