Jovens universitários e secundaristas saíram às ruas em São Paulo para expressar descontentamento com o aumento das tarifas de transporte público. O ato, realizado sob chuva intensa no centro da capital na última quarta-feira (14), marcou o início das mobilizações estudantis do ano.

Bianca Borges, integrante da União Nacional dos Estudantes (UNE) e presente no protesto, destacou a relevância do movimento. "Este ato se alinha à longa tradição do movimento estudantil paulista de iniciar o ano letivo nas ruas, reagindo aos reajustes das passagens e defendendo o passe livre estudantil", afirmou. Ela ressaltou que, apesar dos ataques recentes, o passe livre permanece como um pilar essencial para a continuidade dos estudantes no ensino superior.

A decisão de reajustar os valores das passagens de ônibus na capital e dos transportes sobre trilhos na Região Metropolitana de São Paulo, implementada recentemente pelos governos estadual e municipal, foi o estopim para a manifestação.

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Além da oposição ao incremento tarifário, os manifestantes reiteraram suas demandas pelo direito ao passe livre e pela garantia de acesso facilitado à cultura, ao lazer e à educação, pilares considerados fundamentais para a vida urbana.

No início da concentração, nas proximidades da prefeitura, dois jovens foram abordados e detidos pela polícia. Ambos utilizavam máscaras tipo balaclava para cobrir o rosto. A Secretaria de Segurança Pública, procurada para esclarecimentos, optou por não se manifestar sobre as prisões. O oficial responsável pela operação justificou as detenções alegando a ilegalidade do uso de tais itens durante manifestações públicas.

Wesley Gabriel, presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) e um dos organizadores, enfatizou que o protesto busca resgatar uma reivindicação histórica do movimento estudantil: o direito à cidade e à mobilidade urbana. Ele criticou as gestões de Tarcísio e Nunes, acusando-as de seguir uma "receita neoliberal" que "privatiza os direitos públicos em benefício de interesses privados". A mobilização em São Paulo se insere em um contexto mais amplo, com atos semelhantes já agendados em outras localidades paulistas, como Campinas e Sorocaba.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Jeronymo - Repórter da Agência Brasil