A Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados deu aval a uma proposta que estabelece o Programa Recicla e Cash. Este programa visa implementar um sistema de crédito financeiro, conhecido como cashback, para cidadãos que destinarem corretamente seus resíduos recicláveis, gerando abatimentos nas contas de energia elétrica e de água.

O texto aprovado, que é uma versão do relator, deputado Cobalchini (MDB-SC), para o Projeto de Lei 223/25, de autoria da deputada Fernanda Pessoa (União-CE), recebeu a aprovação em outubro. O parlamentar promoveu adequações no alcance da proposta, preservando seu propósito inicial.

Conforme destacou o deputado Cobalchini, a iniciativa constitui uma política pública abrangente, englobando a responsabilidade ambiental, a promoção da economia circular e a inclusão social. O projeto tem o potencial de beneficiar diretamente as famílias, com foco especial nas de menor poder aquisitivo.

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De acordo com as diretrizes do projeto, os cidadãos interessados deverão se registrar em uma plataforma digital e depositar os materiais recicláveis em locais de coleta autorizados. Após a pesagem, os resíduos serão convertidos em um sistema de pontuação, que poderá ser trocado por descontos nas faturas de serviços selecionadas pelo consumidor.

Ajustes e exclusões no projeto

O relator Cobalchini implementou modificações na relação de materiais recicláveis inicialmente prevista. Ele adicionou óleos e gorduras residuais ao escopo do programa, mas decidiu remover resíduos eletrônicos e baterias da lista de itens elegíveis para o benefício.

A justificativa para a exclusão de eletrônicos e baterias, segundo o relator, reside no fato de que esses setores já são legalmente obrigados a operar sistemas de logística reversa. Adicionalmente, o substitutivo impede que as concessionárias de energia e água suportem encargos financeiros pela implementação do programa sem a devida compensação.

A gestão do programa ficará a cargo do Ministério do Meio Ambiente, em conjunto com as agências reguladoras de energia elétrica (Aneel) e de águas e saneamento (ANA). Detalhes como os valores dos créditos e os critérios para adesão serão estabelecidos por meio de uma regulamentação futura.

Incentivo à sustentabilidade

A finalidade do projeto é diminuir o descarte inadequado de recicláveis na natureza, ao mesmo tempo em que fomenta a educação ambiental e o consumo responsável em âmbito nacional. A supervisão e fiscalização serão de responsabilidade dos órgãos ambientais e das agências reguladoras.

A proposta contempla a colaboração das prefeituras no registro de catadores e cooperativas. Com isso, as cooperativas terão preferência na administração dos materiais coletados, contribuindo para o fortalecimento da cadeia produtiva da reciclagem e para a inclusão de grupos sociais vulneráveis.

Ao introduzir a versão original do projeto, a deputada Fernanda Pessoa ressaltou a eficácia do sistema de cashback como estímulo à reciclagem, conforme observado em outras nações. Ela expressou a expectativa de que "o programa tem o potencial de posicionar o Brasil como um modelo na gestão de resíduos sólidos".

Próximos estágios da tramitação

A tramitação da proposta ocorre em caráter conclusivo, o que significa que ela ainda passará pela avaliação das comissões de Minas e Energia; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que se torne lei, o texto necessita da aprovação tanto da Câmara dos Deputados quanto do Senado Federal.

Entenda o processo de tramitação de projetos de lei
FONTE/CRÉDITOS: Agência Câmara Notícias