Espaço para comunicar erros nesta postagem
Mesmo após registrar um lucro de R$ 20,68 bilhões em 2025, o Banco do Brasil antevê um período consideravelmente “desafiador” para o ano de 2026.
“O ano de 2025 foi desafiador e 2026 será desafiador. Mas será desafiador dentro de um desafio que já aprendemos como fazer", afirmou Tarciana Medeiros, presidente-executiva do banco, durante uma teleconferência com analistas realizada nesta quinta-feira (12) para divulgar os resultados da instituição.
Posteriormente, em uma entrevista, a presidente do Banco do Brasil reiterou a discussão sobre esses obstáculos, cujas raízes começaram a ser percebidas em 2025, impulsionados pela elevada inadimplência no setor do agronegócio.
"Estávamos vindo de dois anos com resultados históricos recordes. Contudo, 2025 se mostrou um ano desafiador, com uma diminuição nos resultados em comparação ao ano anterior, que havia sido o de maior desempenho na história do Banco do Brasil. Observamos um comportamento atípico no segmento do agronegócio, onde a inadimplência em 2025 registrou um aumento de cerca de 500% em relação à média histórica", detalhou Medeiros.
Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Novas diretrizes contábeis
Ontem à noite (11), o banco informou um lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões em 2025, representando uma retração de 45,4% frente a 2024. A instituição atribuiu esse desempenho às novas normas contábeis e ao incremento da inadimplência, especialmente no setor agrícola. Para 2026, o Banco do Brasil estima um crescimento moderado, com projeção de lucro líquido ajustado variando entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.
Entre as estratégias para o próximo ano, destaca-se a intenção de consolidar a liderança no segmento de crédito consignado para servidores públicos e expandir a atuação nesse mesmo tipo de crédito para trabalhadores da iniciativa privada.
“Possuímos um conhecimento e uma expertise histórica no crédito consignado; operamos essa linha desde o seu lançamento. Portanto, nosso objetivo é fortalecer ainda mais a posição de liderança do banco nesse mercado", enfatizou a presidente do BB.
O Fundo Garantidor de Crédito
Na terça-feira anterior (10), o conselho do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) aprovou um plano de emergência para reequilibrar seu caixa, que foi afetado pela liquidação do Banco Master. Essa iniciativa visa assegurar que o fundo, mantido por instituições financeiras para proteger clientes em casos de falência ou liquidação, mantenha uma liquidez adequada aos riscos presentes no sistema financeiro.
Aporte financeiro antecipado
Para a recomposição desse fundo, a diretoria do Banco do Brasil anunciou hoje um aporte antecipado de R$ 5 bilhões, destinado à recapitalização do FGC. Em virtude do impacto gerado pela liquidação do Banco Master, que exigiu a utilização do fundo para ressarcir clientes, as instituições bancárias optaram por adiantar o valor correspondente a cinco anos de suas futuras contribuições ao FGC.
O Banco do Brasil, que usualmente contribui com aproximadamente R$ 1 bilhão anualmente para o FGC, terá esse montante antecipado em um período de cinco anos. Conforme explicou Geovanne Tobias, vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores da instituição, essa medida representará apenas um impacto no fluxo de caixa do banco, com os recursos sendo transferidos da tesouraria para o FGC.
Contribuição adicional
Além do aporte antecipado, Tobias informou que o banco realizará uma contribuição extraordinária equivalente a 50% desse valor, o que corresponde a cerca de R$ 500 milhões anuais. "Vou aumentar em R$ 450 milhões a R$ 500 milhões a mais nas minhas despesas financeiras para contribuir extraordinariamente para o FGC", declarou o executivo do BB.
"É fundamental que o FGC permaneça sólido, mas estamos renunciando a receitas, e o órgão regulador tem ciência dessa situação", argumentou Tobias.
A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, ressaltou que, embora o FGC seja um mecanismo de proteção ao investidor, ele não deve ser "utilizado como argumento de venda" de ativos.
"Acredito que 2025 e todos os acontecimentos desse ano nos proporcionam muitos aprendizados para possíveis adequações na legislação e na regulamentação", comentou Medeiros.
"No momento em que nós, o mercado e o próprio regulador identificamos falhas em um dos participantes, é crucial investigar as causas dessas falhas e buscar corrigi-las. Portanto, considero essencial um amplo diálogo entre todos os agentes envolvidos para que se alcancem os ajustes necessários e se evite a repetição de tais ocorrências", concluiu a presidente.